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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Nada será como antes



O ano que vem promete sensações novas para quem gosta de futebol. Mas não se empolgue não. Tô falando da realidade distinta a que as mudanças orquestradas pela FIFA e pela CBF irão condenar os amantes do jogo de bola, e não prevendo triunfos. Muito menos descrete nacional, como pode concluir dessa breve abertura um leitor mais empolgado. Vejam, depois de todas as alterações que serão feitas no calendário nacional na temporada vindoura, os torcedores que gostam de gastar os janeiros à beira-mar talvez precisem deixar as areias para ver que enredo terá o debute do time do coração no principal campeonato do país. Uma vez que isso passará a se dar antes mesmo do carnaval, e não mais quando as águas de março já tiverem fechado o verão, como andamos acostumados. Donde concluo que os cartolas andam ousados. Não deveriam encarar tão de peito aberto a concorrência, porque se pensarmos bem são poucos os times por aí com mais apelo do que uma boa praia. Vai saber. Não duvido que o sol brilhando e as areias escaldantes, que também tantas emoções provocam, venham dar uma leve derretida na audiência das primeiras rodadas.  E nem vou falar da petulância diretiva de marcar compromissos para essa época, quando estamos todos cansados de saber que neste rincão dos trópicos o ano só começa depois da folia de Momo. 

Outro efeito das alterações poderá ser uma certa sensação de que as cervejas da quarta à noite já tiveram acompanhamento melhor, já que nos primeiros meses do ano que vem passarão a se destinar aos jogos dos torneios estaduais. Nunca foi má tática, e passará a ser mais indicada ainda, dar uma turbinada nos petiscos.  Quem sabe jogando com uma linha dtrês atrás, ou ao lado, dos copos. E que fique registrado que sou e fui, desde sempre, totalmente contra o fim dos Estaduais. Os considero parte importante do patrimônio futebolístico que construímos e que deveria ao longo do tempo ter sido mais bem tratado. Tenho a essa altura sérias dúvidas se um tratamento digno será possível diante das míseras onze datas a que a nova ordem lhes condenou. 

Mas quando falo em novas sensações falo também da Copa do Mundo, claro. Copa que parece ter transformado, Gianni Infantino, o presidente da FIFA, em amigo de infância de Donald Trump, que morro de curiosidade de saber se seria capaz de nos explicar a regra do impedimento. Será, sem dúvida, o momento mais singular da vida dos que há tempos se entregam a esse tipo de prazer, ou de paixão, como preferem os mais ardentes. A coisa dessa vez irá muito além de tentar adivinhar que papel a Seleção Brasileira interpretará. Esqueça tudo o que você já viu em matéria de mundiais. Serão três países. Infinitas quarenta e oito seleções. Sugerindo um nível técnico como realmente nunca se viu.  Podem escrever o que estou dizendo: não demora e a Micronésia vai garantir um lugar na Copa. Não quero parecer aqui um descrente nos avanços. Só os ignorantes não aceitam a obviedade de que tudo está em constante transformação. Está aí o Santos que não me deixa mentir, o Santa Cruz. 

E é sempre bom saber que pelo menos no que diz respeito à Copa do Mundo não estaremos solitários. Os italianos verão, talvez novamente de longe, que já não se faz mais Copa como antigamente. Os alemães, os argentinos. Só não arrisco dizer que até no Uzbequistão isso se dará já que os uzbeques serão debutantes nessa. Importa é não ser refratário ao novo. Sinto-me tão vanguardista escrevendo isso. Que venha a Copa do Brasil com final em jogo único, a Série D com sua quase centena de elegidos. Como chegaremos lá não sabemos. Agora como chegaremos na Copa o jogo de amanhã contra a Coréia do Sul pode nos dar mais algumas pistas. Mas temo certo desapontamento já que  sob a batuta do prestigiado Ancelotti, e ainda que nada  venha a ser como antes, pouca coisa mudou.  

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Fiel cruel



A metrópole ferve. Aguardo o Uber. Quando dá tento deixar o carro em casa e assim ficar um pouco livre dos testes que o trânsito paulistano costuma impor aos nervos. Com os sentidos menos entupidos noto no caminho detalhes de lugares e coisas que nunca pareceram estar ali. O motorista fica na dele. Está esilêncio. Mas um fato qualquer de que não recordo agora fez nascer a conversa que em pouco tempo desaguaria no futebol e no Corinthians. O tom é de desilusão. Não teria como ser diferente. Ainda não existia a vitória sobre o Fluminense nem o jogo da noite de ontem contra o América. Eu, que sou um cara do tempo em que o Timão não tinha Libertadores e nem Mundial, posso entender bem as mágoas do torcedor que está ali no banco da frente no papel de motorista. 

O discurso temperado num orgulho ferido é também um discurso inconformado. Mas cheio de razão. O time alvinegro acabava de ser derrotado pela terceira vez seguida. Mas o que me surpreendeu no papo foi o tom sóbrio das impressões que iam sendo tecidas sobre o passado e o futuro próximo.  O papo deixava transparecer certo temor para em seguida sentenciar que - na ocorrência de nova derrota  - colocar fim na passagem do técnico Antônio Oliveira viria a ser só mais um entre tantos erros cometidos pela direção do clube. Vejam a lucidez. Falou da falta de sintonia entre os dirigentes. Do presidente recém empossado que cometeu o erro de começar falando demais.

E se a impressão que eu tinha àquela altura era a da mais pura sobriedade ela só aumentou quando a conversa virou pra situação vivida pelo goleiro Cássio. Até ali tinha ouvido coisas com as quais eu concordava sem muito esforço. O que me fazia desconfiar que a sensação de sobriedade não passava de uma fantasia, de uma afinidade de raciocínio. Mas, de repente, tudo mudou. Pois naquele momento o sujeito que se encarregava do meu destino disse algo que nunca tinha ouvido: a torcida do Corinthians é apaixonada mas não perdoa nem os ídolos. Ouvi o dito e me pus a pensar. Realmente, a história corintiana guardava outros capítulos em que jogadores antes vestidos de herói se viram ofuscados por momentos em que as glórias já eram parte do passado.  E as glórias de Cássio, embora grandiosas, já o são. 



Mas a trajetória de tão robusta impede qualquer diminuição de seu papel na história corintiana. Para além dos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes no ano de 2012 está o goleiro que mais vezes defendeu a meta corintiana, o segundo que mais vezes a vestiu a camisa do clube. E não custa lembrar que o primeiro, o lateral Wladimir, figura nesse panteão com um número de jogos que parece inalcançável. É fato que a vida de goleiro sempre soou mais ingrata do que todas as outras. Como talvez soe ingrato fazer de Cássio um reserva. No entanto é do jogo, sabemos. Mas nunca tinha atentado para esse suposto viés impiedoso da fiel. 

Pensar que ainda no meio do ano passado , depois da vitória nos pênaltis contra o Estudiantes nas quartas de final da Copa Sul-Americana ele era exaltado como o maior defensor de pênaltis da história do clube. Ainda que o torcedor corintiano goste mesmo é de lembrar daquele lance em que evitou o gol de Diego Souza no jogo de volta das quartas da Libertadores em que triunfaria. Com o coração aberto pelo drama que o momento sugere Cássio disse que está conformado caso este seja o último ano dele no clube. Isso enquanto o semblante do arqueiro deixava ver o quanto nos é difícil aceitar que tudo tem seu ponto final. 

quinta-feira, 7 de março de 2024

Duas cenas do nosso futebol

Foto: Vinicius Gentil/Olaria AC


Antes de chegarmos ao requinte desta nossa era do chamado futebol nutella muita água passou por debaixo da Ponte. Muito gente suou , arriscou as canelas e ficou pelo caminho literalmente para que alguns poucos hoje, com a bola nos pés, pudessem desfrutar do status de celebridade. Que como temos visto tem feito muitas vítimas. Mas o futebol resiste e duas páginas escritas na semana passada me fizeram crer que o futebol raiz ainda tem viço. Seja lá o que futebol raiz queira dizer. As duas foram, de certa forma, um drible na obviedade de que o jogo de bola só pode nos fazer feliz quando nos oferta a pseudo-anfetamina da vitória. 

Uma dessas páginas foi escrita no estádio Ulrico Mursa de tanta tradição, com a Portuguesa Santista voltando a fazer um jogo de torneio nacional depois de dezoito anos.  Espaço de tempo que sempre foi visto como suficiente pra que alguém tome juízo. Mas essa é outra questão. A outra página se deu no estádio da Rua Bariri, no Rio de Janeiro, campo do Olaria. Diga-se de passagem, dois estádios que honram a tradição permitindo que  o jogo de bola se desenrole em cenário que vai se fazendo cada vez mais raro: um gramado natural. Talvez seja exagero dizer que tanto a Briosa quanto o Olaria foram vitimados pelo regulamento estapafúrdio da Copa do Brasil.

Mas se reclamassem que tiveram de jogar sob a sombra da injustiça, não lhes tiraria a razão. Pra quem não sabe a primeira fase do torneio reza que o time melhor posicionado no ranking tenha o direito do empate. Posso imaginar que algum iluminado tenha levado em conta que conceder o direito a uma disputa por penaltis aos teoricamente mais fracos - e já donos do mando - poderia favorecer o anti-jogo por parte dos anfitriões. Seja como for, a meu ver, essa desigualdade aniquila a equidade. No caso do jogo do Olaria com o São Bernardo se viu o placar apontando zero a zero até os quarenta e sete do segundo tempo. Não é de se estranhar que precisando vencer o time da casa tenha se exposto mais no fim e levado o gol. Afinal, era a única saída. 



Em Ulrico Mursa o enredo do jogo foi outro. O Caxias fez um a zero pouco antes do final do primeiro tempo.  E diante disso normal que o segundo tempo tenha se desenrolado com muitas faltas, com os visitantes apostando em se defender mais do que atacar. E fazendo uso da enrolação que no futebol costuma se chamar de cera.  A Briosa e o Olaria acabaram eliminados. Ficou a sombra desse regulamento maluco provocado certamente pela falta de datas do nosso calendário futebolístico. 

Mas em Olaria nada foi motivo para colocar a torcida pra baixo. Mesmo sabendo do favoritismo do adversário, o dia de debutante do clube na Copa do Brasil agitou as ruas do bairro. Fez brilhar a história de um clube que tem cento e oito anos.  E quando o juiz apitou o fim da partida não se viu desânimo. Foram ouvidos aplausos. Não vi como se deu o final do jogo em Ulrico Mursa mas posso imaginar que , de certa forma, estavam as duas torcidas irmanadas na sensação de que o futuro pode lhes reservar boas alegrias. Momentos que só foram possíveis por causa das Copas que mantém os times ativos durante o segundo semestre. No caso do Olaria a Copa Rio. E no da Portuguesa Santista a Copa Paulista, vencida pelo clube pela primeira vez no ano passado. E que vão mostrando que nem só de nutella vive o nosso futebol.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

O Flu e outros campeões



A temporada terá chegado ao fim pra valer quando o Fluminense amanhã sair de cena. Por mais que o fim do Brasileirão deixe no ar um sentimento de circo sendo desmontado. E não resta dúvida de que o time de Fernando Diniz deu enorme contribuição para ela com seu inédito título da Libertadores e a boa vitória sobre o Al Ahly que lhe colocou na final do Mundial de Clubes. O jogo de bola nos dias atuais , infelizmente, nos impõe um exercício de humildade. Ou, melhor dizendo, nos obriga a nos encerrar na própria realidade. Confrontar o nosso futebol com o europeu, não é de hoje, pode revelar um abismo de difícil transposição. Sabemos disso, mas sabemos também que o jogo adora driblar a razão ou qualquer coisa que o valha e acabamos por alimentar - meio que por instinto - a possibilidade de ver o improvável.  

É bem capaz que você tenha ouvido muitas vezes pregadores não tricolores dizerem que Diniz precisava de um grande título para ancorá-lo. Pois agora ele o tem. O que talvez já não tenha é o cargo de treinador da Seleção Brasileira uma vez que a CBF neste momento teve seu presidente destituído pela justiça comum e o interventor em exercício corre contra o relógio para convocar eleições. Diante dessa realidade  o trato com Carlo Ancelotti, desde sempre de ares tão etéreos, pode ter evaporado, como se evaporou praticamente metade do tempo que se tinha para fazer nossa Seleção ser o outra na próxima Copa. A Diniz diria que, por mais que chegar lá ainda soe como reconhecimento,  a Seleção tem pouco a lhe oferecer neste momento. O que é ao mesmo tempo uma prova de que ela já não é o que foi um dia. 



Tratar de fazer a carreira em clubes ainda mais sólida é o que verdadeiramente pode lhe ampliar os horizontes. Cito o título conquistado mas sigo acreditando que a maior contribuição de Diniz segue  sendo a originalidade. Esse jeito que nos obriga a pensar o jogo. Insistir em ser diferente desde sempre guarda uma dose de coragem. E por falar na temporada, maduro, o Palmeiras soube fazê-la um tanto dele também. Talvez nem todos vejam valor nisso, mas considero títulos seguidos algo notável. E aí está o time da Academia de Futebol na nobre condição de bicampeão brasileiro. Se muitos argumentos o futebol trata de desfazer diria que a trajetória de Abel Ferreira nos faz ver que pode ser mesmo essencial manter um treinador.  Mas é fato que acreditaria mais nessa virtude tivesse o treinador vivido ao longo do tempo percalços desses que valem por uma frigideira. Não foi o caso. Abel, ainda que tenha se visto às voltas com momentos mais desafiadores esteve sempre escudado , se não pelos resultados, pelas conquistas que obteve. Tantas que lhe valeram como uma blindagem. 



E resultado, já que o assunto é a temporada, alcançou também o São Paulo, campeão da Copa do Brasil deste ano. Bater o Flamengo na final já teria sido de aplaudir.  Mas o tricolor assinado por Dorival Júnior chegou lá depois de ter deixado pelo caminho dois rivais gigantes: Palmeiras e Corinthians. O que seria justificativa para qualquer euforia. O alto número de lesões, é fato, talvez tenha nos impedido de ver o que poderia o elenco tricolor que muitas vezes em campo me pareceu se contentar com o domínio do jogo sem fazer muita questão do gol. Mas é só uma impressão. Está aí. Na condição de campeão.  E pelo visto de bem com a torcida que se encarregou de dar ao time do Morumbi uma média de público invejável. O que nunca será pouco.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

O ocaso do Migué



Devo ser mesmo um romântico em matéria de futebol. Digo isso porque um dos mais acalorados papos sobre futebol que travei nos últimos dias versava sobre o que pode um time de futebol além do planejamento. Cornetava o Flamengo que na primeira partida da decisão da Copa do Brasil mal conseguiu fazer cocegas no São Paulo. Meu interlocutor defendia com unhas e dentes a tese de que essa falta de combatividade tinha sido fruto da disposição tática dos jogadores em campo, enfim, da maneira que o treinador tinha decidido armar o time. Não que eu inocentasse o técnico mas tinha pra mim que naquilo tudo havia uma questão individual. Uma falta de disposição para, uma vez naufragado o esquema, tentar buscar uma maneira alternativa de equilibrar o jogo. O que de uma maneira rasa seria apostar um pouco no bom e velho resolver na raça. 

Não ignoro as imensas dificuldades que costumam brotar de escolhas táticas que não vingam. O que estava querendo defender é que para além do quatro quatro dois - ou algo que o valha - existirá sempre a questão anímica. Para ser mais direto, sem ânimo sempre foi difícil chegar a algum lugar. Imagine então quando se trata desse futebol físico dos dias de hoje. Essa filosofada a respeito me fez pensar também que um treinador sensível, diante de um quadro desses, poderia muito bem, humildemente, optar por uma estratégia que tornasse o time menos exposto, e em última instância exigisse uma dose menor de atitude. Não consigo entender que durante noventa minutos um time não seja capaz, minimamente, de morder um pouco o adversário. Se é que me entendem. 

 Quando alguém toma conta de uma partida a coisa complica. É fato. Mas quero crer que uma boa leitura de jogo, um bom tempo de bola aqui e ali irão permitir umas beliscadas no adversário. E não estou falando em com isso chegar a um jogo igual. E é óbvio que para ter algum efeito esse tipo de reação não pode partir de um único jogador. Embora toda contribuição seja bem vinda e possa dar algum fruto. Agora, se quem está em campo não quer jogar é outra história. Só fico me perguntando se quem acompanha o futebol pelas entranhas, os analistas de desempenho, munidos de todo o aparato digital que têm à disposição não enxergam os abismos que toda a falta de ânimo pode provocar. Foi-se o tempo em que os espertos podiam dar o popular migué. Podiam ficar nessa de ser chinelinho. Os mapas de calor estão aí pra desmascarar aqueles que em campo podem se fazer uma fria para os ditos companheiros. 

E pelo que li esta semana a FIFA acaba de aprovar a chuteira inteligente. É, meus amigos, o avanço tecnológico é como a burrice, não tem limites. Esse novo aparato, pasmem, servirá para medir o desempenho dos membros inferiores. Olha que perigo! O invento servirá, por exemplo, para analisar tempo de bola, velocidade do chute, distância percorrida, aceleração e até analisar as mudanças de direção. Não pensem por isso que esse mundo favorece mesmo a informação. Hoje em dia os clubes se negam até mesmo a fornecer a lista de relacionados para um jogo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é  outra coisa. Mas, voltando a questão do ânimo, da disposição, é bom que os malandros de bola fiquem espertos porque do jeito que a coisa vai irão de ter de correr nem que seja pra dar um migué nas máquinas.  

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O valente Sampaoli



Para além das grandes questões que cercam o futebol não há como não se render a um bom personagem. O que não quer dizer que um personagem dito bom venha a ser um sujeito gente fina. A sedução de um personagem se dá de forma mais complexa do que isso. O que me leva a crer que mesmo o futebol com todo seu apelo e encanto seria menor na ausência deles. Não colocaria, no entanto, Jorge Sampaoli na galeria dos grandes personagens. Mas há nele um traço que me desperta interesse. É um personagem intrigante. Ainda não tenho claro se é  um treinador  acima da média, ou alguém que se colocou nesse universo com certa pompa depois de ter sido exímio em extrair todos os dividendos de momentos como a conquista da Copa América com a seleção chilena quase uma década atrás. 

E por transitar nesse mundo em que os resultados servem como uma espécie de maquiagem fantástica imagino que a essa altura os santistas o tenham em melhor conta do que os flamenguistas.  Não é pra menos. O que Sampaoli fez à frente do time santista é algo difícil de esquecer. E imagino que muitos dos que não nutrem simpatia por ele ao lembrar disso evitam ser cruéis a ponto de dizer que se trata de uma farsa. O que não é o caso, longe disso. Mas talvez também não seja o caso de tratá-lo como um extra classe, termo sisudo muito usado por boleiros.  Meu olhar de torcedor - no início um pouco levado pelo bom astral de momentos como aquele em que Sampaoli chamou pra ver um treino do time santista alguns meninos que acompanhavam tudo de cima de uma árvore - aos poucos foi descobrindo nele um certo ar fechado, de valentia. 

Para a formação dessa imagem contribuíram imensamente os relatos de que ele queria mesmo é saber da comissão dele, evitando outros profissionais. Alguns com lugar de honra na história do clube. Mas o que soava como exagero acabou corroborado pelos acontecimentos envolvendo a comissão dele no Flamengo. Agora mesmo antes de começar a escrever estas linhas tinha dado de cara com manchetes nada abonadoras. Pudera. Às vésperas de decidir a Copa do Brasil levou a campo um time pródigo de invenciones que unidas ao placar de três a zero a favor do adversário se fizeram de difícil defesa. E insisitiu nelas na hora de passar a decidir o título. Também tinha lido a declaração de Suso, jogador do Sevilla, da Espanha, que apontou Sampaoli simplesmente como o pior treinador que já teve. Não sei se é crível, mas depois de tantas páginas vividas no futebol brasileiro, somos levados a supor que o chileno Vidal e o atacante Marinho pensam na mesma linha. 

Desde que chegou ao Brasil Sampaoli fez com que a imprensa tomasse ciência de que não dava entrevistas exclusivas. Protocolo que mais tarde viria a quebrar, para atender interesses que eram só dele.  Sobre a valentia, um dia me contaram - e isso claro pode ser apenas intriga de um desafeto - que certa vez foi visto desviando a rota de uma caminhada que fazia na praia de Santos ao perceber que ela desaguaria na mesma que vinha traçando o lendário Serginho Chulapa.  Adoro personagens e adoro lendas. Se é um treinador de primeira classe sigo sem saber. Mais fácil tem sido constatar que quer mesmo é se cercar dos seus. Coisa que se segue sendo levada adiante é porque quem o contrata não tem a valentia de encarar valentes nem mesmo quando os está pagando. E assim vão se formando personagens não exatamente grandes, mas intrigantes.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Um nostálgico driblado



Semana passada o dia do futebol me fez nostálgico. Não duvido da perenidade do jogo como fez o escritor Graciliano Ramos nos idos da década de 1920, quando afirmou que se tratava de 'fogo de palha". Uma moda passageira, importada e sem futuro. É tarde demais para isso, e não é o caso.  Não acho que o jogo corra algum risco no sentido de se ver lá pra frente despido de importância. Mas uma coisa me parece óbvia e já tive a oportunidade de dizer aqui. Imagino o futuro dele cada vez mais parecido com o de modalidades endinheiradas. Como o golfe ou o tênis. Em outras palavras, capaz de seguir gerando cifras cada vez maiores, produzindo ídolos. E por tabela despertando o interesse e a cobiça de conglomerados pra lá de endinheirados. 

A nostalgia vem do que, na minha opinião, fez o futebol realmente valoroso e que o tempo vai transformando, desgastando. No fundo o segredo do sucesso do jogo foi certa simplicidade. Essa coisa que parecia ofertada a todos e que na minha geração fazia dele a brincadeira preferida da garotada. E é disso que falo. Dessa alma transformada do jogo de bola. E daí nasceu o sentimento que divido com vocês agora. Penso que se alguém quiser fazer alguma coisa verdadeiramente nobre para o futebol deveria pensar em ações que resgatassem essa veia popular dele, aquela onipresença vista décadas atrás. Semear campos pelos bairros. O que seria também uma maneira de desafiar essa  apatia que se abate sobre a criançada seduzida por telas onde as caneladas e divididas doídas inexistem. 

O futebol continuará aí como já disse. Tal qual o filho de um nobre de cofres polpudos cujas gerações vindouras se fazem protegidas por lucros e afins. O que eu falo é do viés humano que fez o futebol vir a ser o que é. Algo que o mercado e os homens com sua astúcia não tardaram a transformar num grande negócio. Deveria se pensar em ingressos com preços populares e cuja compra não obrigasse ninguém a ser um torcedor de carteirinha, um sócio torcedor. A sensação que tenho, às vezes, é a de que a realidade atual faz em muitos momentos que se tenha com o futebol um sentimento meio parecido com o de quem vê um produto caro na vitrine. Uma sedução que nasce mais da pompa e do que é espetacular do que propriamente do jogo. 

O custo dessa sensação, se eu fosse capaz de explicar, seria algo como vê-lo se afastando do que carrega de mais artístico. Tudo isso pode parecer sem sentido plantado neste meio de semana em que as semifinais da Copa do Brasil nos esquentam os ânimos. Ou se pensarmos não só em nós , mas nos italianos, nos argentinos, em todo o mundo que a essa hora vive e fala de futebol. Ou se pensarmos nas areias da praia nas tardes de sábado, e não apenas nelas, onde inúmeros campos continuam sendo desenhados e ganhando vida. Tudo alimentado por essa paixão que atravessa os tempos. Não se trata disso. 

Não resta dúvida de que o futebol pulsa e que nunca foi um fogo de palha como apontou Graciliano há um século. Falo do jogo como expressão de uma cultura. Do futebol como símbolo nosso , como o samba, o carnaval. Então, imagino a avenida. As noites em que se colocavam as cadeiras de praia na calçada e se varava madrugadas esperando os desfiles. Mas aí me cai a ficha. O carnaval também já não é o que era. Então, Como quem leva um drible percebo que essa nostalgia já não faz sentido. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Devaneio sobre a decisão



Era uma vez um articulista que vivia em desacordo com o tempo. Queria o que o andar da impressão não deixava. Vira e mexe acalentava desejos de escrever sobre os jogos de quarta que o inabalável deadline não permitia. A tecnologia podia ter dado conta de muita coisa, mas ainda não havia estreitado o espaço de tempo entre a entrega de um artigo e sua publicação a ponto de lhe saciar a vontade. E quanto maior o jogo, maior a obsessão. Não foram poucos os momentos em que saciou esse desejo escrevendo pelas beiradas. Driblando declarações que poderiam datar o texto e fazê-lo soar ultrapassado pela manhã. E aquele bendito Flamengo e Corinthians, sobre o qual toda a crônica já falava quando ele inconformado sentou para escrever, o faria levar tudo até às últimas consequências. Em desacordo total com a situação que o enredava resolveu ser fiel a rebeldia que nunca tinha deixado de cultivar. Tratou, então, de exercer o direito de imaginar o que o Maracanã veria poucas horas antes de seu texto amanhecer estampado na página da seção de esportes. 

Depois do jogo de ida, quando o time carioca deu a impressão de ter conseguido cozinhar o Corinthians e esfriar os ânimos da fiel torcida sempre inquieta e barulhenta, intuiu que o tão propalado favoritismo rubro-negro tinha se confirmado. Não deixou de levar em conta que  já tinha visto muito jornalista passar vergonha por ter abraçado cegamente o óbvio, quando o que havia se dado era o improvável. Isso na época em que uma coisa dessas marcava um jornalista pra sempre. Mas não conseguia enxergar o time corintiano atual capaz de, diante de um Maracanã lotado, encenar uma façanha dessa. Na Libertadores mesmo jogando em casa o time alvinegro tinha sido abatido por dois gols. Dessa vez tinha saído ileso. O time de Vitor Pereira podia ter se mostrado mais maduro. Mas ainda assim não seria para qualquer um encarar a maturidade desse time do Flamengo, farto em matéria de talento. 

Se não fosse a noite de Arrascaeta, poderia ser a de Everton Ribeiro. Se não fosse de nenhum dos dois poderia vir a ser de Gabigol, ou de Pedro. E esses nomes soavam desde sempre como antídotos eficientes contra essas surpresas que o jogo de bola costuma pregar. Seria preciso mais do que um Cássio, que costuma se agigantar nessas horas para calar o Maraca. Imaginou o time de Copas do Flamengo onipresente nas capas de jornal. Nas capas dos portais. Sorrindo, como quem diz: que venha a Libertadores. Mas não achou impossível que o Corinthians mesmo assim pudesse vir a fazer uma apresentação dessas da qual a torcida se orgulha. Cássio não iria tremer. Nem Renato Augusto. Enfim, mandou o ponto final. 

Respirou fundo. Clicou em cima do enviar. Levantou da cadeira. Tratou de cuidar das tarefas cotidianas porque a noite seria de decisão. Por um instante se deixou tomar por um certo receio de como tudo aquilo iria soar. Mas no segundo seguinte sorriu pra sala vazia certo de que mesmo se o enredo imaginado viesse a se revelar infinitamente distante do que  viria a acontecer estaria ali, estampada em poucas linhas, a prova de que nem a mais astuta mente até hoje se revelou capaz de antever o que pode um jogo de bola. E que quanto mais inesperado fosse o enredo mais estaria fortalecida essa verdade.  


* Artigo escrito para o jornal " A Tribuna", de Santos - publicado em 20/10/2022 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

O grande baile

Dirão os mais puristas que o grande baile será outro. Será o que se dará na capital equatoriana. Neste momento vivendo dias terríveis, em estado de exceção. Para o qual, aliás, a Conmebol insiste em fazer vistas grossas. Não faltarão argumentos aos que, por ventura, vierem a defender essa posição. Mas esse outro baile que se dará dez dias depois desse que defendo como o tal ser encerrado, não é exatamente nosso, embora tenha como anfitriões dois times brasileiros. Não faço pouco caso da Libertadores com estas minhas palavras. Mas na minha opinião o grande baile será essa decisão da Copa do Brasil que se aproxima. Flamengo e Corinthians com suas torcidas imensas dão ao jogo contornos épicos. Um confronto que digo a vocês já me pareceu mais desequilibrado.  

E por mais que o time rubro-negro tenha conquistado pra si essa aura de time que é sinônimo de excelência vejo crescer uma certa sensação de que o Corinthians tem time pra sonhar com esse feito.  Ainda mais agora que Roger Guedes e Yuri Alberto praticamente provaram para o técnico alvinegro que podem jogar juntos.  Há, sem dúvida, o detalhe de que o jogo da volta é no Maracanã e isso não é coisa que não pese. Sei que muita gente não vai concordar comigo, mas nesse ponto vale destacar que se essa decisão da Copa do Brasil fosse feita nos moldes do outro baile, em partida única e em local previamente escolhido, que como vemos poderia se revelar neutro, aí a coisa embolava de vez. E se escolhi a metáfora do baile para falar disso não foi por acaso. 

Sabemos todos que grandes bailes, em geral, não levam essa fama porque os convidados sabem dançar como ninguém. Longe disso. Os grandes bailes são, antes de tudo, o reconhecimento da importância de quem convida. Notadamente se faz um pouco cruel esse longo hiato que de uns tempos para cá os organizadores insistem em colocar entre as semifinais e as finais desses torneios, quando todo mundo sabe que poderia ser diferente. A partir de agora, e mais do que nunca, tudo se resumirá a esse aguardado Corinthians versus Flamengo, a parte inaugural do tal baile. No final de semana , quando os dois estiverem em campo pra cumprir as obrigações relativas ao Brasileirão, serão vistos e interpretados mais sob a ótica do que virá do que sob a do que desenharam em campo.  Com o Flamengo visitando o Cuiabá. O Corinthians recebendo o Athlético Paranaense em Itaquera. Por coincidência o time que fará com o rubro-negro o outro cortejado baile de Guayaquil. 

E não será o caso de dizer pior para o Flamengo, que quando estiver nesse baile evidentemente não terá esquecido que em breve terá de dar conta desse outro.  Trata-se daquele tipo de stress muitas vezes invejado de quem, pelo seu papel, acaba por ser convidado pra tudo. Ou quase tudo. Jamais saberemos, apesar de insistir na análise, o quanto as últimas apresentações dos protagonistas irão pesar na hora em que a festa começar. Até porque tanto Corinthians, que acaba de sair de um empate com o lanterna do Brasileirão, quanto Flamengo, provavelmente, levarão à campo times esvaziados, sem titulares. Diante disso tudo, o empate pálido do rubro-negro ontem à noite contra o Internacional no Maraca ou o embate do Corinthians no dia anterior com o  Juventude não passam de páginas que a história aceleradamente deixou no passado. Importa, e não é de hoje, é se preparar para o grande baile.    

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Visitas que valem ouro

                                                    Foto: Marcos Zanutto/AGIF
 

Se há uma coisa que teoricamente o esporte precisa preservar é a igualdade de condições. Coisa que em matéria de futebol se viu ameaçada desde que a profissionalização venceu a parada e se instalou de vez no esporte bretão. Em outras palavras, desde que a grana entrou na jogada. Semanas atrás a questão envolvendo o mando de campo voltou à tona com o Corinthians indo enfrentar a Portuguesa carioca em Londrina. Como veremos em breve a Juazeirense receber o Palmeiras por lá também. Dizer que nos dois casos, não fosse a questão de onde jogar, os times  estariam em condições iguais não é o caso. O que evidencia que o mando de campo, de certa forma, é o último bastião nesse sentido.  

Puristas como eu tendem a concordar que se trata de crime de lesa torcida colocar um time num avião e fazê-lo jogar longe daqueles que podem ser chamados de seus.  Defendo, portanto, que ao invés de se entregar de primeira à sedução de investidores interessados em comprar o mando esses times ditos menores deveriam é pensar em explorar melhor esse tipo de oportunidade. Sabemos que muitas vezes a casa deles não dá conta das exigências impostas pelas  fases mais avançadas de certos torneios. Mas o que deveria norteá-los é mais ou menos o que norteou a lei que fez poderosos brigarem e que decretou que o mandante é o tal. 

Talvez, arrumar um estádio o mais perto possível do seu, que dê conta das exigências, em cidade de porte razoável, onde a ilustre visita que irão receber poderia ser traduzida em faturamento também. Mas não um exílio, não tomar essa atitude de praticamente abandonar o seu chão fazendo a balança pender totalmente para o lado do adversário que já goza de tanto. Mas esse tipo de situação é boa pra que se jogue luz sobre a miséria do futebol brasileiro. Futebol que, ao contrário do que muitos pensam, não é o mundo endinheirado de Palmeiras, Atléticos e tais. Nada disso. Foi na esteira desse assunto que acabei ouvindo o testemunho de um companheiro de profissão contando o que viu o próprio filho viver ao ir jogar num clube modesto da Bahia. Uma realidade do tipo oito atletas dividindo o mesmo quarto, muitas vezes comendo feijão e banana. Tendo de encarar fila pra tomar banho. E como fez questão de ressaltar, isso em um time da primeira divisão. 

Não serei aqui um radical defendendo que esse tipo de transação não deva ser feita. O que defendo é que esse tipo de oportunidade seja explorada da melhor forma possível. Afinal, se tem uma coisa que pode incrementar o caixa dos mais pobres é essa visita ilustre. Tá claro que é algo que desafia o planejamento. Difícil crer, por exemplo, que os dirigentes da Juazeirense  achassem que precisavam se preocupar com a Copa do Brasil para além do encontro com o Vasco, time que acabaram deixando pelo caminho e que deu a ele essa rara oportunidade de faturar.  Gostaria de poder pensar nos torcedores que ficam sem ver o time do coração. Ainda que não sejam muitos merecerão sempre respeito, um tratamento digno. Pra que se tenha uma ideia da realidade vivida pelos pequenos deixo aqui registrado o público do jogo da Juazeirense contra o CSE na estreia do Brasileiro da Série D. Meros cento e um pagantes. Isso mesmo. E a renda, são capazes de imaginar? Dois mil e vinte reais. Donde concluo que  pra maioria dos times brasileiros ter direito a um mando de campo diante de um grande é quase como ganhar na loteria. 

sexta-feira, 26 de março de 2021

A Copa do Brasil



A maneira como nossos dirigentes tratam a questão da pandemia fica cada vez pior. Por isso peço licença para dar um drible no tema. Ando sem paciência. Vou falar da Copa do Brasil. De quem já gostei mais é verdade. A mudança no formato levou embora parte do meu entusiasmo. Esse negócio de dar o empate ao visitante não me passa.  Como nunca me passou ver times pequenos deixando sua cidade de origem pra fazer o jogo em outro lugar. Em geral capitais.  Afinal, gramados mal aparados, estádios modestos, ausência de iluminação, são ou não são coisas nossas? Como são o samba, a prontidão e outras bossas, como disse certa vez Noel Rosa. 

Não foram poucas as vezes em que vi times modestos botando uma pressão danada pra cima de gigantes. Emprestando a partidas comuns um certo ar de decisão. Como não foram poucas as vezes em que me empolguei com eles, mesmo que o entusiasmo quase sempre não tenha ido muito além da metade do primeiro tempo. Seja como for, o velho estilo  da Copa do Brasil deixou suas marcas. Que o digam os torcedores do Santo André, do Criciúma, do Paulista, de Jundiaí.  Tá certo que o número de times anda beirando o exagero. Já estamos perto de uma centena.  É um detalhe discutível, mas quero crer que esse aumento - ainda que tenha sido promovido com outros interesses - de alguma forma seja também um modo eficaz de inclusão. 

E nem digo que seja exatamente contra essa história de os times que disputam a Libertadores chegarem para a festa quando o torneio está nas oitavas. Imagino que ofereça certa graça aos menos favorecidos essa chance de medir força com eles. Até porque na ausência dos tais, em caso de triunfo, sempre vai pintar na área um engraçadinho pra questionar o tamanho do feito. Também não vou entrar nessa de dizer que basta olhar os últimos campeões para perceber que as mudanças tornaram o mais raiz de nossos torneios menos democrático, mais previsível. 

Semana passada quando o Corinthians foi a Pernambuco enfrentar o Salgueiro me chamou a atenção o fato de o narrador ter destacado que com a grana que o vencedor ganharia por passar de fase, pouco menos de setecentos mil reais, o campeão pernambucano teria assegurado a grana que precisava pra disputar a Série D. Diante desse abismo nunca me parecerá demais oferecer aos menos nobres a possibilidade de um jogo cá e outro lá. Ouso dizer mais, seria muito salutar que o triunfo em um torneio de âmbito nacional estivesse, como já esteve, mais ao alcance das equipes que estão longe de fazer parte da elite do nosso futebol.  

Pensem em todos os efeitos colaterais que essa, digamos, democracia do triunfo seria e é capaz de produzir. Reavivar a relação com a  torcida, dar um tempero em rivalidades regionais e, claro, contribuir pra aumentar o faturamento. E o que me faz acreditar nisso é ver momentos como o vivido pelo Retrô, outro time pernambucano que esteve em campo na semana passada pela Copa, e que virou notícia por derrotar o Brusque - ilustre integrante da nossa Série B do Brasileiro - na primeira participação da equipe em uma competição nacional. O futebol é assim, só pede uma chance. E por aqui quem pode dar é a Copa do Brasil.