Mostrando postagens com marcador Messi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Messi. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de julho de 2026

E não me venham falar em favoritos

Patrick Smith -FIFA 


Não sei bem o que nos espera no próximo domingo. No outro... já sei bem. E ando me preparando pra ele. O ofício exige. E lá, quando o mês de julho estiver mais ou menos aos quarenta do segundo tempo, nos restará torcer pra que o futebol brasileiro mantenha minimamente a temperatura.  Não sei como cada um de vocês chega neste último capítulo da Copa. Preparem-se. Teremos o líder Palmeiras recebendo o Atlético Mineiro. O Flamengo - sete pontos  atrás lembram? - de encontro marcado com o São Paulo no Maraca. E não adianta lamentar porque é o que teremos para o momento.

Confesso a vocês que levei um bom tempo pensando na possibilidade de França e Argentina decidirem a Copa em duas edições seguidas. Era difícilo enxergar esse detalhe como requinte. Afinal, se tratava de coisa que nunca tinha sido vista. Esse Mundial bombadão  talvez tenha nos entregado mais do que esperávamos. Fazendo nascer um sem fim de marcas, muitas delas discutíveis, mas ainda assim alardeadas com entusiasmo desmedido. Digo isso porque se certas seleções chegaram pela primeira vez à fase eliminatória foi em razão da sanha desmedida por lucros. O que, figurativamente, trouxe a linha de chegada pra algum lugar um pouco mais perto de quem competia. 

Devemos nos render é a outras, mais legítimas. Como a que fez de Lionel Messi o maior artilheiro de todos os tempos em Copas do Mundo. Convenhamos, não é coisa que se vê a toda hora. Ainda que Mbappé com todo seu talento juventude e horizonte pra outra Copa soe como promessa de fazer a marca do camisa dez argentino das mais breves do tipo em toda a história também.  A anterior, do alemão Miroslav Klose, foi soberana por doze anos. Mas... a França se foi nos fazendo testemunhar um capítulo que soou esquisito, não fosse uma notável Espanha a responsável por decretar o fim daquela trajetória que muitos imaginavam fadada ao sucesso. Ver esse time francês condenado a ouvir gritos de olé foi algo totalmente fora da curva. E há, creio, uma lição nessa despedida que revelou o primeiro finalista. E que vai muito além de incensar o time espanhol apontando para o talento óbvio de um Lamine Yamal. 

A lição que fica é a de que o futebol moderno, muitas vezes traduzido pelos entendidos com conceitos recém fundados, não deve deixar de valorizar  aspectos tidos como clássicos. A capacidade refinada de trocar passes. A necessidade de uma identidade. Coisa que outro dia, se não estou enganado, ouvi um certo professor muito respeitado dizer que não era exatamente o que buscava. A valorização do conjunto, que sempre alonga os pequenos espaços e favorece o tipo de movimentação que costuma gerar uma oferta abundante de opções de passe. E quando isso se dá... o melhor é não estar na pele do adversário. 

E por falar em adversário a Espanha que se cuide, porque a Argentina chegará no domingo pra lá de vitaminada por uma vitória sobre os ingleses que escancarou o quanto os comandados de Scaloni têm de coragem e de tarimba. E nem vou falar de Messi que seria chover no molhado. Mais do que a patente de atual campeã mundial a Argentina é um time cascudo. Ainda ouço aqui as palavras ditas por Harry Kane depois. Tentamos segurar o jogo e nesse nível isso não basta. Acho que o temperamental treinador inglês, que é alemão, ao pensar pequeno condenou a nação mais íntima do futebol a deixar escapar uma chance que ela esperava há muito tempo. E não me venham falar em favorito quando uma seleção que acaba de mostrar que lida muito bem com adversidades encontra uma outra que tá cansada de mostrar que se recusa a mudar de estilo mesmo diante da maior das dificuldades.  

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

O futuro nos dirá



Desconfio que apesar de tudo o que vimos rolar no gramado do Maracanã e no quase céu boliviano, onde fica o estádio de El Alto, o sentimento do torcedor com relação à Seleção Brasileira não sofreu grandes alterações nessa reta final das Eliminatórias para a Copa. Imagino que alimente esse sentimento um misto de curiosidade, uma pitada leve de pendor cívico, tudo isso temperado com a paixão pelo futebol que habita em muitos desde sempre, apesar das dores e provações a que as paixões costumam nos condenar.  O jogo de terça contra a Bolívia foi uma provação. Teve um quê de castigo. A pergunta que me faço, às vezes, com certo receio da resposta, é a seguinte: e se Ancelotti não conseguir fazer a Seleção Brasileira jogar, quem seria capaz de dar conta de tão desafiadora missão ? 

E vejam que não estou pedindo títulos, nada disso. Imagino algo que possa ser definido como um resgate da respeitabilidade, um certo reconhecimento de que há ali um time de se admirar. Mas reconheço que essa minha modéstia de quereres é de complexa execução porque conseguir isso sem levantar uma taça exige certa boa vontade de quem interpreta o desenrolar da história.  Melhor seria ganhar uma Copa e pronto! Não há nada melhor para neutralizar a acidez dos críticos.  Deixo aqui até uma ideia para o caso de termos de pensar em um novo treinador. Que tal Lionel Scaloni? Esse professor de trajetória tão singular, que sem jamais ter comandado um clube sequer, foi capaz não só de fazer da Argentina campeã do mundo, mas de alguma forma ajudar a pavimentar o caminho para que Lionel Messi pudesse, enfim, tomar o lugar que lhe pertencia no futebol argentino e mundial. 

E antes que alguém passe a coçar a cabeça lendo estas linhas ao pensar que não temos um Messi, lhes digo que estou ciente disso. E concluo indo além na questão. Se vier a ser verdade o que se diz à boca pequena, que quem manda é o Messi, que os hermanos só chegaram onde chegaram porque quiseram jogar para ele e coisa e tal. Pois bem, então talvez more aí um motivo a mais para acreditar que Scaloni poderia nos ajudar, já que ele deve saber muito bem quem merece esse tipo de benesse, quem verdadeiramente é capaz de exercer tal papel. Mas o que eu sei é que as Eliminatórias ficaram para trás e, pela ótica grandiosa do tempo, talvez não tarde o dia em que seremos obrigados a apurar se os donos do jogo querem que Ancelotti continue, ou se terão de empreender a dura missão de substituí-lo. 

Por hora, nos devolverão o Brasileirão, com uma rodada que analisada friamente tem tudo pra ser mais desafiadora para o Palmeiras, que recebe o Internacional, do que para o Flamengo, que encara o antepenúltimo colocado, o Juventude, mas no sempre caloroso Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. Para um rubro-negro tão endinheirado e confessadamente obcecado pela conquista do principal torneio de futebol do país qualquer resultado que não seja a vitória soará mal. Não que o Palmeiras, no Allianz Parque, tenha mais opções. Não tem. Agora, mais espinhosa será a rodada para o Cruzeiro que,  talvez, munido da grande fase de Kaio Jorge, teima em se colocar entre rubro-negros e alviverdes e na segunda-feira irá fechar a rodada jogando em Salvador contra um Bahia que pareceu perder um pouco do fôlego diante do entusiasmado Mirassol. Bahia que ainda teve de dar conta das finais da Copa do Nordeste em meio à Data Fifa e ontem foi eliminado da Copa do Brasil.  

Já o Santos escreverá o segundo capítulo da era Vojvoda, fora de casa, enfrentando o Atlético Mineiro, que escreverá o primeiro da segunda era Sampaoli. E pensar que dias atrás as manchetes diziam que a volta do treinador argentino à Vila não se deu porque o time não conseguiria atender às exigências dele. E imagino que deviam ser mesmo cabeludas, porque o Santos que ele terá de enfrentar encerrou a janela de transferências contratando muito, apesar de ter no mercado a credibilidade aniquilada como fez questão de dizer o próprio executivo de futebol do time alvinegro. Mas não tem nada não, como diria Peninha, o futuro nos dirá tudo o caldo que deu a Seleção com Don Carlo no comando, e em que pé foi parar a credibilidade santista.  

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

A seleção no Maraca

Foto:Gov. Estado do RJ- Divulgação


A noite desta quinta-feira pode deixar certos torcedores nostálgicos. E não é pra menos. Veremos a Seleção Brasileira se apresentar no Maracanã. Time e estádio perderam prestígio, mas não perderam a majestade. Será, quem sabe, uma noite pra não deixar dúvida de que nas mãos de Carlo Ancelottii a história pode mesmo ser escrita de um modo diferente. Talvez nem todos lembrem, porque é daquelas páginas que pedem pra ser esquecidas, que a última apresentação no templo chamadMário Filho foi um fiasco danado. Naquela noite, não bastasse a confusão que se estabeleceu no setor sul  - e acabou envolvendo os jogadores argentinos preocupados em defender compatriotas e familiares que estavam por lá - pela primeira vez na história das Eliminatórias o Brasil perdeu uma partida jogando em casa. 

E nem perdemos levando um gol de Messi, o que acabaria por ser mais aceitável. Fomos derrotados por um gol solitário marcado pelo zagueirão, Otamendi. Vejam vocês. Aquela noite, que teve o time brasileiro chamado de sem vergonha e olé entusiasmado vindo das arquibancadas quando os adversários teimavam em ficar com bola, só não soou mais terrível do que a passagem de Fernando Diniz pelo cargo. Ao se despedir, pouco depois, tinha se tornado o primeiro treinador a perder um jogo pelas Eliminatórias em casa, o primeiro a sofrer três derrotas seguidas no torneio e o primeiro a perder para a Colômbia nele. De quebra tinha colocado por terra uma invencibilidade de trinta e sete jogos do time brasileiro. 

Justiça seja feita, o castigo de Diniz, ainda que merecido, ganhou ares de tragédiaE, insistindo em fazer alguma justiça, a Colômbia andava jogando bola. O que não tem sido nem um pouco o caso dChile, lanterna das Eliminatórias e que chega ao Maracanã no dia de hoje carregando o fardo de ter sofrido até aqui uma dezena de derrotas. Secretamente, até Dom Carlo, homem tão curtido de grandes experiências futebolísticas, deu pistas de que irá sentir lhe correr pela espinha uma sensação diferente  na hora em que o túnel lhe entregar a visão de um Maracanã funcionando a todo vapor. Pode até, quem sabe, ter desenhado um time levando em conta todo esse contexto. Um time, não digo mais brasileiro, pois nesse quesito dessa vez se mostrou mais comedido, mas um escrete pra frente, para usar um termo que os que venham mesmo a ficar nostálgicos na noite de hoje vendo a bola rolar irão entender com facilidade. 

Um verniz de brasilidade que talvez se fizesse bem expresso na figura de kaio Jorge, que vem roubando a cena com a camisa do Cruzeiro e ocupa neste momento o posto de grande artilheiro do principal campeonato de futebol do país. Não basta ter quatro atacantes, é preciso ter alma. No mais, fico aqui tecendo suposições sobre como veremos a Seleção ocupar tão nobre palco. Intrigado sobre como Ancelotti resolverá a questão das laterais, que têm sido uma provação para muitas equipes. E imagino que a intrigante convocação do experiente e improvável, Douglas Santos, seja de alguma forma uma prova do quanto isso vem mexendo com a cabeça dos treinadores. Pois que jogue o fino se tiver a chance. 

A fragilidade do adversário sugere um jogo sem maiores complicações, mas costuma morar justamente aí a veia sobrenatural do bendito futebol. E é bom, diante da festa possível, não esquecer que a atribuladíssima história recente da CBF comprometeu todo o ciclo entre a última Copa e a que vem aí. Não faz muito tempo - corria o mês de março de 2022 - fechávamos as Eliminatórias, justamente diante do Chile, e no Maracanã, vencendo por quatro a zero e garantindo a vaga no Mundial do Qatar de maneira invicta. O que sugere que lá pra cá andamos para trás e e talvez explique  a razão do torcedor brasileiro andar desiludido. Mas, apesar de tudo, dessa opacidade que a falta de virtuosismo e de beleza depositam sobre a carcaça do nosso escrete, uma noite com Seleção Brasileira e com Maracanã ainda continua sendo diferente das outras.   

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

O caminho do futebol é o da grana





Naquele início de dezembro de 2010 quando num evento, pomposo como sempre, realizado na Suiça, as fichas com os nomes da Rússia e do Qatar foram mostradas e o mundo ficou sabendo qual seria o caminho das Copas depois de passar pelo Brasil os mais atentos não ficaram surpresos. Talvez tenha sido o resultado mais fácil de se prever da história. A razão é muito simples: o caminho das Copas tem sido faz tempo o caminho da grana. É possível pensar que nem sempre tenha sido assim se conseguirmos crer que dinheiro e interesses não são a mesma coisa. 

O Brasil tinha recém torrado pouco mais de dezesseis bilhões fazendo, portanto, a Copa mais cara da história, mas a Rússia alardeava que estava disposta a gastar quase trinta. Na época o vice primeiro ministro russo, Igor Shuvalov, disse que nunca iriam se arrepender da escolha. O que me faz pensar o quanto a Copa não ajudou a turbinar o poder de Vladimir Putin que insiste em fazer pairar sobre o mundo nos dias de hoje a ameaça de uma guerra nuclear. Os russos tinham o argumento de jamais ter recebido um mundial e o de abrir de vez um grande mercado.  Argumentos meio gastos. Tinham sido usados antes para embasar candidaturas como a dos Estados Unidos e da África. 

Ao Qatar bastaria apontar o cofre. Mas o protocolo tem lá suas exigências. E para dar conta dele nada como bradar aos quatro ventos a possibilidade de se realizar pela primeira vez na história um Mundial no Oriente Médio. Fato é que o mundo acabou vendo coisas mais singulares do que isso. Uma Copa realizada em dezembro. Um Mundial com graves acusações de violações de direitos humanos como nunca se tinha visto. Enfim, o tempo passou e pouca gente se deu conta da cifra que envolveu esse capítulo da história do futebol. O Qatar gastou, ou diz ter gasto, mais de um trilhão de reais. Isso mesmo, um trilhão. Não se trata de um erro de digitação.

Não duvido que a cifra soe até normal para o orçamento deles que têm colocado verdadeiras fortunas também para construir museus. Pagando valores astronômicos em obras de arte e projetos assinados por arquitetos mundialmente famosos. Diz o dito popular que quem pode, pode. Como se diz também dos bem sucedidos que não costumam brincar em serviço. O que cai como uma luva pra descrever os homens da FIFA. Farão agora a Copa voltar aos Estados Unidos, dessa vez a estendendo pela América. Colocando também Canadá e México na jogada.  Apesar de tudo, das crises, os EUA ainda são um grande mercado. E por mais que a Arábia Saudita diga que não tem uma candidatura elaborada ela está inevitavelmente no caminho das Copas. Como o Qatar que, não é de hoje, faz com o futebol transações que mais  parecem negócios de Estado. 

Que a Arábia Saudita não veja o futebol como uma maneira de melhorar sua imagem é difícil de acreditar. Não fosse assim, qual a razão de ter levado pra lá há tempos as decisões da Supercopa da Espanha e da Itália? Ou de ter promovido dias atrás um amistoso envolvendo o PSG, que simplesmente colocou Messi e Cristiano Ronaldo frente a frente? Mas sedutor mesmo para a FIFA, essa pra lá de endinheirada entidade sem fins lucrativos, é saber que a Arábia Saudita tem um fundo de dois trilhões e meio de reais para financiar o que o país achar interessante. E sabendo disso, o que você me diz, o futebol fará, ou não, o caminho da grana?  E o ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter blefou, ou estava errado, quando disse que a Copa do Qatar tinha sido um erro? 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Los hermanos



Desde a mais tenra idade os iniciados no futebol acabam por dar de cara com o modo como se deve tratar um argentino. Talvez mais cedo do que isso só se aprenda as malandragens do jogo de bola.  Não sei exatamente os da geração atual, mas aos da minha não tenho a menor dúvida de que sempre nos foi sugerido tratá-los como nossos grandes rivais. Diria que dos uruguaios sempre se traçou perfil parecido, mas um grau abaixo. Não é de se espantar que para alimentar todo esse discurso de rivalidade tenha-se recorrido às mais escabrosas histórias de falta de espírito esportivo, ainda que muitas vezes trazidas de tempos imemoriais. Não nego a rivalidade e sei bem de seu tempero.  Como sou até capaz de entender que ao longo da história os locutores tenham feito dela sua arma principal para esquentar um jogo, uma transmissão. 

Mas isso claramente fez não ser do nosso feitio olhá-los pelo viés puramente futebolístico. Quando viemos a nos render de verdade a esse tipo de virtude foi quando acabamos por dar de cara em campo com um Maradona.  Jogador que -  com o justificado ar de Deus que acabou por ganhar - deve por tabela ter sido responsável pelo milagre de em certos momentos nos pegarmos torcendo por uma vitória dos nossos maiores rivais. O que pelo visto Messi conseguiu fazer também e com louvor. Obviamente nos rendemos a outros. Kempes, Batistuta. Ao próprio Di Maria, com sua exibição de gala na final da Copa agora. Olha, que conteste a teoria aquele que, sem levar em conta a tal rivalidade, não daria um lugar no seu time a um deles. 

Somos os riquinhos do continente em matéria de futebol.  Em outras questões comungamos com toda a falta de desenvolvimento que infelizmente até hoje não deixou de ser uma marca dessa nossa América do Sul. E essa condição de abastados talvez explique esse ar de mimado dos nossos jogadores. Bem antes de o árbitro apitar o final desta Copa que acaba de entrar para a história já estava convencido de que os argentinos, sim os argentinos, têm muito a nos ensinar. Depois dela me convenci de vez. Por mais que o futebol tenha virado o que virou, com seleções como a do Marrocos onde quatorze dos convocados tinham nascido em outros países, acredito que a maneira de jogar bola ainda seja de algum modo um retrato de um povo. E um povo pode se preservar mesmo tendo sido afastado de sua terra. 

Talvez isso explique o sucesso do próprio Marrocos, que fez tudo que fez sob o comando de um treinador recém chegado. Um cara que colocou por terra o dogma de que o êxito em matéria de futebol está intimamente ligado ao tempo que um treinador teve para trabalhar.  Só um entre tantos dribles que o futebol jamais vai cansar de dar nas nossas teorias.  Por falar em drible, ele já foi nossa marca, como foi a ginga, como foi o improviso. Esse foi o Brasil que se fez gigante nos gramados. E enquanto todas essas armas surtiram efeito fomos os tais. Mas isso foi bem antes de a compactação passar a ser a palavra de ordem para os que pensam o futebol taticamente. Admiro o jeito argentino de pensar as coisas, seus craques da literatura, seu jeito intenso de viver as emoções. Sua coragem para ter passado a limpo o negro período da ditadura. Admiro a maneira deles de encarar o jogo.  

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Messi, mais que um craque



Ele tem tudo pra ser sinônimo de uma era. Ouso dizer que não conheci até hoje ninguém que , em alguma medida ao menos, não tenha se rendido ao talento dele. Chego a considerar blasé que alguém, como já ouvi por aí, faça reparos à seu talento.  No entanto, certas considerações não chegam a ser raras.  Não é um bom cabeceador, por exemplo. Madre mia. Aposto que o caro leitor já ouviu gente questionando o que seria de Messi uma vez inserido em um outro time que não fosse como o Barcelona.  Algo que, digamos, chegava a considerar. Não exatamente por acreditar que fora do Camp Nou o argentino se revelaria menor, mas por sentir certo prazer nesse exercício de imaginação. Com ele indo pro PSG veremos, mas correremos o risco de ouvir que o PSG não é parâmetro já que tem também um elenco estelar. 

Mas que os incautos não deixem de ponderar em suas análises , a partir dessa ruptura entre ele e o clube catalão, que já não se trata de um menino.  Não ousaria duvidar  mesmo assim que esse Messi venha a nos surpreender. Talvez não com a mesma constância o que , volto a sugerir, seria normal.  Entre tantas contribuições há de se ressaltar que se ainda resta alguma mística em torno da camisa 10, devemos muito disso a ele. Messi soa desde sempre como um craque à moda antiga, e não só por isso.  Também pelo fato de até dias atrás ter sido jogador de um clube só. Há muito a considerar sobre essa questão é verdade. Poderia se dizer que ele ficou tão grande que acabou transformando as cifras que o cercavam numa espécie de prisão abstrata. Era bom demais pra que o deixassem sair, mas era acima de tudo um cara que não tinha preço. 

O próprio fim da história que o ligava ao Barça foi um pouco isso. As cifras acabaram sendo um problema. A média de gols que ostenta ao se despedir é de respeito. Vejam,  0,86 gol por partida nunca seria algo modesto, mas saber que essa media se manteve assim ao fim de dezessete temporadas é de se tirar o chapéu. E não deixa de ser uma espécie de espelho de sua envergadura futebolística. Mas Messi, sabemos todos, tem muito mais do que números para o amparar. Muito mais do que quatro Ligas da Europa, três Mundiais ou dez taças do Campeonato Espanhol. Tem o requinte, a precisão, o estilo.  

Qualquer um que não seja alheio ao que tem se desenhado entre as quatro linhas buscará rápido na memória um momento em que esse camisa dez foi sublime. Acho interessante notar como no decorrer das últimas temporadas Messi mudou de comportamento. Tomou posições. Não tenho como dizer se foi pela idade que sempre nos deixa com a paciência mais curta, ou se foi a imprensa que acabou colocando sobre ele um outro tipo de olhar. Messi gosta de ser o dono do time é outra coisa que se ouve vira e mexe. Mas se ele não pode ser, quem poderia? Pois se o Barça se diz mais que um clube, Messi é mais que um craque.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Pelé, o inalcançável

                                                                Foto; Domicio Pinheiro

Não é de hoje que os números ganharam status de vedetes na cobertura esportiva dando ao futebol um certo gosto de tabuada. Longe de mim fazer pouco caso da matemática que, eu sei , está em tudo. Não nego aos números muitas virtudes. Muito menos escrevo para tentar tramar uma vingança barata já que a única vez que me vi reprovado na vida estudantil foi justamente em matemática. O acontecimento me causou um trauma imenso. Ser reprovado por um mísero 0,25 no tempo em que isso significava refazer todo o ano letivo, incluindo aí as matérias para as quais você por ventura tivesse se mostrado um aluno exemplar, foi um baque. Faço essa digressão toda pra dizer que anda cansando esse papo de que tem gente por aí superando Pelé. 


O Rei do futebol, meus amigos, é inalcançável. Os devotos da precisão poderão argumentar que não se trata disso, de superar. Que tudo se resume a uma constatação numérica. Mas se Messi e Cristiano Ronaldo, com suas marcas notáveis, estão longe de poder ocupar o papel que a história reservou ao mais notável camisa dez que o futebol já teve, onde está a honestidade em usar insistentemente o nome do Rei do Futebol para tentar dar uma ideia do que eles andam fazendo em campo? Por mais que andem, há tempos, fazendo coisas incríveis. Seria mais honesto comparar os números do português com os do argentino, ou vice-versa. São contemporâneos, vivem realidades parecidas. Não que tudo que essas contas provocam sejam de se desprezar. 


Mês passado quando Messi igualou a marca de Pelé em números de gols marcados por um mesmo time foi bonito ver a troca de mensagens entre os dois. Pelé dizendo que o admirava muito. O argentino respondendo que eram palavras que significavam muito vindas de alguém tão grande. Dias atrás foi a vez de Cristiano Ronaldo, que ao marcar dois gols na vitória da Juventus sobre a Udinese teria se transformado no jogador com maior números de gols em jogos oficiais da história. Nesse caso a grita foi maior, pois se a conta feita a favor de Messi deixou de somar quatrocentos e poucos gols marcados em amistosos e outras partidas feitas pelo Rei com a camisa do Santos, a feita a favor de Cristiano Ronaldo se recusava a somar alguns gols marcados por Pelé pela Seleção Paulista. Jogos notadamente oficiais também. 


Enfim, entre a história e a matemática fico com a história. Por mais que ela também comporte imprecisões. De toda forma fiquei com a impressão de ter visto um número maior de jornalistas tratando a questão com cuidado. Instintivamente, talvez, protegendo a obra monumental e a figura de Pelé. O tema me fez lembrar de outros dois personagens. Um, o piloto inglês, Lewis Hamilton, que flerta cada vez mais com a condição de melhor de todos os tempos, mas cujos recordes impressionantes mascaram um número crescente de Grandes Prêmios. E o outro, Maradona, que ao longo de toda carreira marcou apenas um gol no Brasil - e nem foi numa vitória, foi em um empate - mas que o caro leitor deve trazer na memória como um dos maiores adversários que a Seleção Brasileira já teve. Ah, os números. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Messi, o grande



Nos últimos dias o jogador argentino, Lionel Messi, tem ocupado mais espaço nas manchetes esportivas do que quase todos os jogos que têm rolado por aí. Mais até do que muitos clubes. E não é pra menos.  Messi, faz tempo, se tornou o principal fiel depositário da magia do futebol. Isso num tempo em que ter alguém à altura de vestir com dignidade uma camisa dez é muita coisa. Por força do hábito muitos não conseguirão driblar o que virou mania. Comparar o futebol dele com o de Cristiano Ronaldo etc e tal.  Não caio nessa e em outros tempos já deixei aqui minha opção pelo argentino. Ainda que reconheça no português um atleta raro e com lugar garantido na história. Como também não quero especular sobre o destino do argentino. Pouco importa. 

Seja qual for a camisa que ele venha a vestir a minha torcida é apenas para que ele nos mostre que ainda não perdeu o entusiasmo com o jogo. E  que venha a aportar em um time com elenco capaz de lhe dar o suporte técnico que merece. O que não é fácil. A ausência dessas duas condições, ou uma delas que seja, pode redundar numa perda considerável  para o futebol como um todo. Enquanto batuco estas linhas um programa de TV coloca um correspondente no ar pra dizer que o caso Messi pode levar à renúncia do presidente do clube catalão. Ao mesmo tempo em que as páginas de esportes elencam os fatos que teriam levado o craque a enviar à direção do clube a fatídica carta na qual externava sua vontade de partir. 

Aliás, se há algo que mudou em Messi de uns tempos para cá foi justamente o fato de passar a falar, de deixar claro o que lhe incomoda e o que quer. E não só no clube catalão onde nos últimos tempos adotou uma postura dura até, mas também na seleção argentina. Basta lembrar o comportamento que teve na última Copa América. Ali parecia ter deixado de vez para trás o jeitão que durante tanto tempo o caracterizou. O de um cara tímido, calado. A idade, sabemos bem, costuma diminuir consideravelmente nossa paciência. E isso tem um lado bom pois se há alguém com envergadura nesse meio para comprar brigas esse cara é Lionel Messi. Enfim, na minha opinião, o que verdadeiramente importa neste momento não é o número de gols que ele marcou, os títulos que ganhou, as marcas incríveis que alcançou, muito menos os incensados seis títulos de melhor do mundo. 

É o que Messi passou a significar a sua maior contribuição. A sua marca verdadeira.  Um controle de bola mágico. Uma maneira de pensar o jogo que mais parece uma assinatura. A consciência disso, dessa condição tão distinta, se faz necessária, principalmente pra cortar pela raiz aquele tipo de comentário que nasce da falta de sucesso dele com a  camisa argentina, da ausência da conquista de uma Copa do Mundo. Coisa que poderiam fazê-lo maior, mas que certamente não o fizeram menor. Podemos pensar o inverso também, como é que esse argentino conseguiu ser o que é sem nunca ter se visto na condição de campeão de uma Copa? Como, que fórmula é essa?  Desconfio que o fato de ter nascido em Rosário é parte essencial dela.  

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

A quem interessa o jogo único?

 

Vivi sentimentos distintos vendo o Bayern de Munique  fazer o que fez com o Barcelona dias atrás, que longe de ser o que foi ainda é o Barça. O Barça de Lionel Messi, senhoras e senhores.  Senti certa angústia tentando lembrar qual tinha sido a última vez que aqui, ao sul do Equador, tinha visto uma partida de futebol ir além do que prometia. Por mais que a cada dia soe mais descabido tratar o que tem sido praticado por aqui como futebol.  Não só não lembrei quando uma coisa dessas tinha se ado por estas bandas como vi a angústia quase virar depressão. 

Primeiro porque o duelo Bayer e Barça já prometia muito e entregou algo quase inimaginável pra nós. E depois porque caí na real e percebi que os jogos ditos nossos não só não cumprem as mínimas expectativas como sistematicamente têm nos decepcionado entregando o mínimo. Mas acima de  tudo por perceber como temos acreditado que a tradição pode nos salvar dessa condição. Nos aproximamos de um clássico, como o recente entre Corinthians e Palmeiras que valia um título paulista,  e nos deixamos tomar por um sentimento que em outros tempos se dizia que costumava pertencer a mulher de malandro. Sabe? Uma certeza infundada de que tudo vai mudar? Santa ingenuidade. 

Vou lembrar por muito tempo como jogava o time alemão nas profundezas dos quarenta e três minutos do segundo tempo. Com a ânsia de quem precisava de um gol para respirar. Uma grande lição se esconde nessa disposição toda. Quem, ou o quê, consegue fazer esses caras agir assim, com tamanha fome de bola? Justo eles que já tem e tinham tanto. E como aprender nunca é demais não devemos deixar de notar também as condições e atitudes a que essa pandemia nos condenou. Entre elas essa de se resolver a coisa com jogos únicos.  Creio que depois do que vimos os torcedores por aqui deveriam organizar um movimento para reivindicá-los. Fazer barulho mesmo. 

O jogo único provoca o que o futebol tem de melhor. Um tudo ou nada. E não me venham dizer que isso pode gerar injustiças. Algo que nos últimos tempos virou quase um consenso entre os que são do ramo.  Estou convencido de que esse papo de resolver as coisas em mais de um jogo só é bom pra faturar e, por tabela, dar uma nova chance a quem por descuido ou incompetência deixou escapar a primeira. Um jogo a mais, desculpem a insistência, deveria ser algo banido. Dilui uma emoção que deveria desde o início estar concentrada em 90 minutos e ponto. Dois jogos é água no chopp,  é água no feijão. Estou convencido ! No mais, fico aqui tentando fazer as pazes com essa tristeza que nasceu por ter visto tudo o que vi nessa reta final do pomposo torneio de clubes da Europa. E que foi bonito, hein!?   

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Diga lá: Brasil x Argentina!


Hoje à noite tem um Brasil e Argentina à vera. É daqueles jogos cuja sonoridade dos nomes envolvidos, mesmo quando ditos apenas mentalmente, basta pra deixar transparecer seu tamanho. O encontro será no Mineirão onde pouco mais de dois anos atrás os alemães nos fizeram ver o quanto nosso futebol e nossos selecionáveis estavam vulneráveis. Imagino que alguém tenha resolvido dar um basta na situação ciente de que um dia a seleção precisaria voltar lá. Talvez até tenha sido ideia de Tite, apresentado dois dias antes da confirmação do jogo no estádio mineiro. 

Mas, seja qual for o enredo que venha a se desenhar por lá na noite de hoje, não terá o poder de livrar a seleção brasileira do que viveu ali. Sinto dizer mas aquilo é pra sempre, e q qualquer discurso no sentido contrário falso. Será também o encontro de dois técnicos em início de trabalho.Tite ao debutar no comando do time brasileiro contou com um Gabriel Jesus inspirado e de lá pra cá não perdeu o embalo. E que embalo, em quatro jogos fez de um Brasil sexto colocado o líder das Eliminatórias.

Não que Edgardo Bauza, o atual técnico argentino, contratado menos de dois meses depois, tenha começado mal quando recebeu o Uruguai, em Mendonza. Outro clássico daqueles ao qual basta sentir a sonoridade dos nomes. Messi estava de volta depois do penalti perdido na Copa América, do vice-campeonato diante do Chile e, num daqueles dias, se encarregou de fazer o gol que deu a vitória e a liderança das Eliminatórias ao time argentino. Mas no futebol as coisas mudam rápido, algo que não devemos deixar de ter em mente mesmo quando o Brasil dá pinta de ter encontrado um rumo. Prova disso é que de lá pra cá a Argentina não venceu mais.

Empatou com a Venezula fora de casa e também fora de casa repetiu o placar de dois a dois diante do Peru. Nesse jogo esteve duas vezes em vantagem, mas viu Cueva - esse mesmo, do São Paulo, que acaba de fazer um belo clássico contra o Corinthians - aos trinta e oito do segundo tempo, de penalti, marcar o segundo gol peruano. Guerrero tinha feito o primeiro. Para completar, na última rodada a Argentina perdeu em casa para o Paraguai. Por essas e outras desembarcaram aqui fora da zona de classificação para a proxima Copa do Mundo, amargando uma nada brilhante sexta posição e tendo de ouvir a torcida se perguntar se a classificação para a Copa virá, isso dois meses após ter batido o Uruguai e assumido a liderança. Algo muito parecido com o que vivíamos antes da chegada de Tite.

Mas Bauza não perdeu a pose, andou dizendo pra quem quisesse ouvir que trabalha pra ser campeão do mundo e que vem ao Brasil pra vencer. Fez questão de justificar a afirmação lembrando aos interessados que o trabalho dele não faria sentido se não acreditasse que pode dar conta disso. Coincidência, ou não, Messi não participou dos últimos três jogos da Argentina, mas estará de volta hoje. 

Ainda assim se o discurso de Bauza soa um tanto pretensioso, pretensiosa também será qualquer análise que venha a sugerir que Tite a essa altura já consertou a seleção brasileira. Mesmo porque os grandes problemas que o futebol brasileiro tem pra resolver não passam exatamente pelo futebol da seleção. Mas o que sem dúvida Tite fez foi resgatar o interesse do torcedor pelo time nacional. Chego a duvidar que algum apaixonado por futebol não mova mundos pra acompanhar esse Brasil e Argentina de hoje a noite. Jogo tão grande que se vencermos nos dará a impressão de que realmente viramos uma página