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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Rádio Corisco - sobre Oscar Wilde




 

RádioCorisco - poemas e fábulas - está no ar desde janeiro deste ano. O programa é apresentado e produzido por Fábio Malavoglia, amigo de fina sensibilidade e dono de um conhecimento ímpar.


Sobre este programa:

Um panorama da profundidade de Oscar Wilde, célebre autor do “Retrato de Dorian Grey” mas esquecido como brilhante poeta impressionista. Momentos e virtudes de sua vida e talentos, por Fernando Pessoa e Jorge Luís Borges. O conto “O Ímã”, criado de improviso e resgatado pelo biógrafo Hesketh Pearson . E as melodias dos contemporâneos Debussy, Satie e Ravel.





Ouça o programa no link abaixo:

Corisco - sobre Oscar Wilde


RádioCorisco é transmitido aos sábados, às 16h30 horas, com reapresentação às quartas-feiras, à 01h, na Rádio USP 93,7Mhz (São Paulo) e Rádio USP 107,9 (Ribeirão Preto), e também por streaming. As edições do programa estão disponibilizadas nos podcasts do Jornal da USP e nos agregadores de áudio como Spotify, iTunes e Deezer.  

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Ricardo Piglia - Trecho de "Os anos felizes" - Diários de Emílio Renzi



A vida não se divide em capítulos, disse Emilio Renzi ao barman do El Cervatillo naquela tarde, com os cotovelos apoiados no balcão, em pé diante do espelho e das garrafas de uísque, vodca e tequila que se alinhavam nas prateleiras do bar. Sempre me intrigou o modo irreal mas matemático em que ordenamos os dias, disse. O próprio calendário já é uma prisão insensata sobre a experiência porque impõe uma ordem cronológica a uma duração que flui sem critério algum. 

O calendário aprisiona os dias, e é provável que essa mania classificatória tenha influenciado a moral dos homens, disse Renzi sorrindo para o barman. Falo por mim, disse, que escrevo um diário, e os diários só obedecem à progressão dos dias, meses e anos. Não há outra coisa que possa definir um diário, não é o material autobiográfico, não é a confissão íntima, nem sequer é o registro da vida de quem o escreve que o define; simplesmente, disse Renzi, é a ordenação do escrito pelos dias da semana e os meses do ano. Só isso, disse satisfeito. 

Você pode escrever qualquer coisa, por exemplo, uma progressão matemática, uma lista da lavanderia ou o relato minucioso de uma conversa num bar com o uruguaio que atende o balcão ou, como no meu caso, uma mistura inesperada de detalhes ou encontros com amigos ou testemunhos de acontecimentos vividos, tudo isso pode ser escrito, mas será um diário apenas e exclusivamente se você anotar o dia, o mês, o ano, ou uma dessas três formas de nos orientarmos na corrente do tempo. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Do craque Drummond

 




                                            A bola é a mesma: forma sacra

                                            para craques e pernas de pau.

                                            Mesma a volúpia de chutar

                                            na delirante copa-mundo

                                            ou no árido espaço do morro.


                                                            Carlos Drummond de Andrade






* sugestão de leitura:
 "Quando é dia de futebol", de Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Das memórias de uma trave de futebol em 1955


Hoje deu saudade do estilo do mestre Sérgio Sant'Anna. No conto abaixo ele narra um treino do Fluminense, em 1955, da perspectiva de uma velha e melancólica trave de gol do clube. Só ele mesmo. O conto foi publicado em abril do ano passado e republicado pela FOLHA pouco depois da morte do autor. E pode ser lido na íntegra no link abaixo.


                            


 

"Para assistir a treinos só vêm mesmo os fanáticos, alguns sócios, a garotada matando aula, alguns desocupados daqui de Laranjeiras. Meu posto é privilegiado, não só pela posição que ocupo no gramado, como pelo fato de estar defendendo a baliza defendida pelo Castilho, o maior goleiro do Brasil. Isso nem se discute. Mas o Fluminense está tão bem de goleiros, que o titular e o reserva, Castilho e Veludo, foram convocados para a seleção na Copa de 54. Castilho treina entre os reservas, para ser mais exigido pelo ataque titular. Nada menos que Telê, Didi, Valdo, Átis e Escurinho. Mas Didi é meia armador e um exímio cobrador de faltas, que bate com sua famosa folha seca.

A folha seca é assim: a bola vem pelo alto, mas perto do gol, perto de mim, de repente perde a força e cai, tantas vezes na rede. Didi acaba de bater uma falta dessas, só que a bola bateu na trave, eu, bem no ângulo. Não sei se devo sentir orgulho ou decepção, acho que ambas as coisas. Pois a cobrança foi perfeita, uma obra-prima, que assisti do meu posto privilegiado, mas ao mesmo tempo me sinto defendendo o gol do Castilho, meu irmão quase, eu diria. Mas Didi sorriu para dentro, com seu jeito discreto, pois foi bonito e engraçado. Pode isso? Pode."


Ler o conto

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Juca Kfouri no Cartão Verde



O homem é quase fundador do time. Acaba de confessar as derrotas sofridas em um livro de memórias. Disse que vinha pra falar do hepta corintiano, quando isso ainda não estava sacramentado. Enfim, o papo começa às 22h30, ao vivo, na TV Cultura