quinta-feira, 30 de abril de 2026

O fantasma das lesões



A maneira que a crônica esportiva tem de tratar o futebol em linhas gerais não costuma primar pelo humanismo. Ainda que o amparo no conhecimento científico esteja mais presente do que nunca. Tão presente que acho que seria prudente que os interessados no tema pudessem entender melhor tudo o que anda balizando os corpos clínicos dos clubes na tentativa de mitigar os danos causados por esforços físicos cada vez maiores. Afinal,  quando um jogador deixa de ser escalado sempre fica no ar a impressão de que se tratou de uma escolha e não de uma constatação. Uma vez que, segundo os especialistas, os exames a tudo esclarecem. O que alia lógica e saber científico, coisas que ajudaram a criar o pensamento que nos tirou da idade média e nos levou mais tarde a era moderna. 

E talvez resida aí a grande dificuldade para que a interpretação do jogo e de tudo que o envolve se dê de maneira mais humana. Há sobre ele uma crença que impede que o científico se imponha. E isso me faz lembrar uma expressão que, mesmo antiga, está longe de cair em desuso: jogar no sacrifício. E com ela está posta a possibilidade de que se conteste o que os laboratórios permitiram ver. Difícil não aceitar que não é preciso estar fisicamente cem por cento pra jogar. Mas a partir disso tudo fica meio nebuloso. E enveredamos por um caminho onde as bases passam a ser tão abstratas quanto a das religiões. De quem não contesto o nobre papel, mas que me sinto obrigado a dizer que precisaram ser dribladas um tanto para que o humanismo viesse a florescer. 



E se digo que o futebol não costuma primar pelo que aquele movimento propunha é porque a crônica esportiva em muitas situações está longe tratar o homem com o cuidado devido. Ainda que o deixe tanto no centro das reflexões que a coisa facilmente acaba descambando pro pessoal e pra fofoca. E as lesões que andam aí frequentando manchetes quase diariamente, que podem tirar o jovem Estevão da próxima Copa, que acabamos de saber impossibilitaram a ida ao mundial do zagueiro Eder Militão, todas elas são retratadas com certa frieza. Em geral, viram notícia no primeiro e nos últimos capítulos. Mas o drama que trazem consigo raramente é lembrado. E a dor tem sido desde sempre companheira de quase todo atleta de alto rendimento. 

Imagino que devam estar parecendo eternos os meses que o atacante Paulinho, do Palmeiras, tem sido obrigado a ficar longe dos gramados. E a realidade que o aguarda é conhecida. Quem se recupera não tarda e será cobrado para mostrar em campo que está apto a exibir o vigor dos heróis. O técnico Fernando Diniz, de perfil tão humanista, dias atrás deu uma declaração que vale a pena ser resgatada aqui. Não desacreditou o que vem dos laboratórios, mas afirmou que um atleta não é só músculos e ossos, ao ser questionado sobre o modo como iria gerir o elenco corintiano. 

Seja como for, as lesões - que parecem nos assombrar nestes dias - deveriam ser tema mais estudado. Para elucidar o que o futebol tem virado do ponto de visto físico. Para elucidar o tamanho dos danos causados por esses calendários draconianos impostos aos atletas. Realidade que esse momento torna muito evidente. Na última Copa, a França, por causa de lesões, teve seu elenco devastado. Ficou sem vários jogadores. Entre eles Benzema, na época o atual melhor do mundo. Ficou também sem Pogba, sem Kanté. Outros nomes viveram o mesmo. O argentino, Lo Celso. O alemão, Marco Reus. O senegalês, Sadio Mané.  Enfim, escolhi o tema por que voltamos a viver esse tempo em que uma lesão se faz imensamente maior do que algo que simplesmente provoca ausências

terça-feira, 28 de abril de 2026

A arte de Roger Dean


 


               * Roger Dean (31 de agosto de 1944) é um ilustrador inglês

                notório por seus trabalhos realizados para bandas como Yes 

                e jogos eletrônicos.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O preço de vender a juventude



Fosse outra a nossa história quem sabe poderíamos ligar nossas TVs num domingo e dar de cara com um Maracanã lotado inflado pela expectativa de ver e ouvir o trinar do apito e assim testemunhar um Palmeiras e Flamengo que a realidade nos rouba. Não digo de um clássico entre alviverdes e rubro-negro como os que temos visto. E que pelo lugar que os dois times ocupam está longe de ser um jogo qualquer. E digo mesmo sabendo que aos dois não faltam nomes de peso, cuja excelência técnica está bem acima da média nacional. Mas a quimera que meu devaneio desenha tem de um lado Vinicius Júnior e João Gomes. E do outro Estevão e Endrick. Não tenho dúvidas que se tivessem seguido entre nós - eles e todos os talentos que o mercado do futebol nos subtrai - teríamos um outro espetáculo. 

Possuiríamos, quem sabe, um caminho para tentar debelar essa falta de brilho que nos ronda, e que me causa desânimo voltar a citar.  Fosse nosso futebol um pouco mais razoável poderíamos, ao menos, tentar desafiar um pouco esse modus operandi. Já que com os milhões que os clubes recebem por entregar seus talentos em flor tratam de comprar outros, mais rodados e sem perspectivas de que se traduzam em boas vendas futuras. E há em torno de tudo isso uma glamourização. Os repatriados quase sempre são vendidos aos torcedores como prova do avanço do futebol brasileiro que em outros tempos nem poderia pensar em concorrer com os contratos oferecidos a eles mundo afora. E é fato que o que proponho aqui vai muito além de Palmeiras ou Flamengo. 



O Vasco, por exemplo, poderia ser outro se o jovem Rayan, que acaba de se tornar a maior venda da história do clube, ainda vestisse a camisa cruzmaltina. Exemplos não faltam, infelizmente. Lembro bem do meu encantamento com Vitor Roque nos tempos que precederam a venda dele para o Barcelona. Andava jogando demais. E fiquei pensando com meus botões o quanto isso empobrecia nosso futebol. As vendas, aliás, e não só de jovens, podem provavelmente explicar o período um tanto sombrio pelo qual andou passando o Athletico Paranaense. 

Mas o torcedor brasileiro se acostumou com essa dilaceração que os cartolas juram com toda a beatitude que é um mal necessário. E assim vamos. Nos últimos cinco anos o Palmeiras se fez o quarto clube no mundo que mais lucrou com a venda de jogadores da base. Negócios que movimentaram um 1,7 bilhão de reais. Interessante ler nas matérias a respeito do tema que brotaram nos últimos dias que esse sucesso se deu por mudanças estruturais que fizeram do clube uma potência exportadora. E, vejam a afirmação do discurso, consolidaram o clube como uma fábrica de talentos, que perdeu apenas das do Chelsea, do Manchester City e do Aston Villa. 

Faço essa reflexão acreditando que um esforço no sentido de manter a maior parte desses garotos seria a mais eficaz das fórmulas para fazer do futebol brasileiro algo mais respeitável, mas também tenho dúvidas sobre o nosso jeito de encarar o jogo de bola e seus personagens. Tendo a achar que, no final, ser vendido por milhões acaba sendo decisivo para que o talento e o valor desses meninos sejam reconhecidos, e que se ficassem por aqui talvez acabassem moídos por essa realidade  nada justa que costuma reduzir um jogador a herói ou vilão.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Como Deus nasceu

 



Matéria muito interessante escrita por Reinaldo José Lopes, publicada pela Folha de SP dias atrás


Trecho:

Bilhões de judeus, cristãos e muçulmanos em todos os continentes adoram versões da mesma divindade, o Deus único que teria se revelado aos seres humanos há cerca de três milênios.

Reduzir a trajetória dessa figura divina a poucos fatores comuns é inegavelmente temerário, mas as últimas décadas de pesquisa histórica e arqueológica indicam que não erraríamos muito se adotássemos dois slogans para resumi-la: 1) Deus não caiu pronto do céu; 2) Deus nasceu das cinzas da catástrofe.


Link:

Como Deus nasceu

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Não me chame assim



Comete-se muitos pecados por causa do dinheiro. Uns bem mais graves do que o que pretendo tratar aqui, devo reconhecer. Falo dessa coisa de dar nome aos estádios, o popular  "naming rights". O tema andou frequentando manchetes nos últimos dias em virtude do encerramento do contrato do Palmeiras com a antiga patrocinadora. Lembro que na época da escolha do antigo nome, assim como agora, foram dadas aos torcedores três opções. Ganhou por goleada aquela que preservava pelo menos em parte a nomenclatura popular. A saber, o substantivo Parque. Àquela altura o velho Parque Antártica já não existia. Tinha sido demolido. Restando dele, pelo que me lembro, apenas parte de uma das arquibancadas que descansa  escondida nas entranhas da nova edificação. 

Nesse caso específico é interessante notar que o nome que havia sido consagrado pelos torcedores carregava o carimbo de uma marca. Nos seus últimos dias o Estádio Palestra Itália estava consagrado como Parque Antártica. Mas essa associação com a marca tinha se diluído com o passar do tempo. Lembro bem a cara de espanto de um interlocutor quando lhe disse que o nome tinha a ver sim com a conhecida marca de cerveja porque o local em que o estádio tinha sido construído pertencia à Companhia Antártica Paulista. Compreensível. Tinha sido há muito tempo. O interlocutor devia ser mais novo do que eu. 

Mas como se não bastasse a modernidade ir demolindo quase todos os estádios, tira deles o que resta da identidade. Por gordas cifras teimam em batizá-los com nomes que não deixam de soar sem sentido. E a maior prova de que os estádios nunca foram tratados com a devida importância é o fato de até hoje apenas um deles ter sido reconhecido como Monumento Histórico do Futebol Mundial pela FIFA.  O Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, construído para sediar a primeira Copa do Mundo da história. Na certa há outros espalhados pelo mundo que mereciam reverência da mesma ordem.  



Vira e mexe me pego pensando se só a exposição das marcas nas Arenas não seria o suficiente para justificar os investimentos.  Até porque mesmo os nomes mais bem sacados passam a soar meio cafonas, meio kitsch. Vejam o caso do MorumBis. E o do velho estádio Urbano Caldeira batizado de Vila Viva Sorte. Na Argentina, a reforma de La Bombonera tem dado o que falar. Um dos comunicados feitos pelo clube precisou deixar muito claro que o estádio não está sendo demolido. Que não se trata de erguer um novo estádio. Mas que ele está apenas sendo ampliado e que terá a identidade preservada. E a possibilidade de venda dos naming rights  tem encontrado forte resistência. Não deve ter sido por acaso que se deu por lá uma das histórias mais lindas nesse sentido. A do San Lorenzo, que  depois de muitos anos de luta da torcida recomprou o terreno onde ficava o antigo estádio. Terreno que tinha sido expropriado na época da ditadura militar e vendido a uma rede de supermercados. Será que a estratégia de marketing ficaria mesmo comprometida, por exemplo, se no caso santista a opção tivesse sido por Vila Belmiro Viva Sorte? 

Isso tudo me trouxe visões dos estádios que carrego na memória. O do próprio Parque Antártica e seu jardim suspenso. O do campo do Beija-Flor, o mais antigo clube da mais antiga Vila do país, onde ia ver jogos com meu pai. E que até hoje me soa portentoso com a arquibancada em curva. Lugar que mesmo com toda sua simplicidade me fez sentir pela primeira vez o que era a alma de um estádio. As tardes passadas nas tribunas de madeira do Mansueto Pierotti onde via desfilar o São Vicente Atlético Clube. A imensidão que sempre pareceu habitar o Estádio Espanha, do Jabuca, na Caneleira. As dores e alegrias vividas no lendário Ulrico Mursa, desde sempre a casa da Portuguesa Santista, que viverá novo momento glorioso neste sábado, e que dizem os autos, ostenta a primeira arquibancada de cimento construída na América Latina. Quando tudo isso soa desprotegido a usurpação do nome mais parece um golpe de misericórdia. 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Libertadores não é tudo



Neste meio de semana a temporada, enfim, entrou em outro estágio com os torneios continentais fazendo suas rodadas inaugurais da fase de grupos. Não é coisa pra qualquer um. Ainda mais quando o assunto é a Libertadores, esse torneio que os mais velhos viram ser tratado com descaso e que hoje em dia se fez o tal. A ponto de ofuscar a magnitude do Campeonato Brasileiro, e que tem servido de palco para o nosso futebol desfilar sua imponência. Dos últimos dez títulos ficamos com oito. O que já seria de lhe ameaçar a graça, que parece ficar comprometida de vez se atentarmos para o fato de que as últimas oito dessas dez edições terminaram com um time brasileiro campeão. E que cinco dessas oito tiveram como vice uma equipe brasileira também. Mas não nos apequenemos com o olhar frio da racionalidade. 

graça da Libertadores segue viva. Entre nós, pelo menos. E diante disso chega a ser intrigante notar como a realidade muda quando o assunto é a Copa Sul-Americana. Nela, das últimas dez edições os times brasileiros só se deram bem em três. Duas  ainda na década passada. E apenas uma nos anos vinte do século que corre. Ainda que equipes brasileiras tenham estado nas finais em outras seis oportunidades. A derrocada do Atlético Mineiro para o Lanús na temporada passada nos fez chegar ao quinto vice seguido. As razões para tamanho disparate certamente turbinariam qualquer roda de papo disposta a decifrar o caso. Os mais místicos talvez digam que os torneios têm almas diferentes. Outros, mais pragmáticos, podem  justificar essa diferença se apoiando na própria realidade atual do futebol sul-americano. 

A falta de fôlego financeiro dos clubes argentinos para competir com os brasileiros faz deles uma espécie de segunda força, num momento que espelha também a evolução do futebol do Equador e da Colômbia. Das últimas dez Libertadores vencidas por brasileiros quatro tiveram argentinos como vices. Enquanto na Sul-Americana  os argentinos ficaram com quatro dos últimos dez títulos, os equatorianos com três e os colombianos com dois. Feitos que não devem ser encarados com surpresa já que nas Eliminatórias recém encerradas para a Copa o Equador foi o segundo colocado, atrás da Argentina, e a Colômbia a terceira. Todos à frente do Brasil, que foi o quinto. E entre eles e nós ficou o Uruguai, que na última década não teve um representante sequer em qualquer das finais sul-americanas. 

Mas é bom que o futebol brasileiro e seus homens de negócios não pensem que por essa condição não têm trabalho pela frente. Manter essa hegemonia talvez passe por ter um torneio nacional de padrão muito superior ao atual, onde a vital qualidade do campo de jogo venha a ser apenas um detalhe. Quem esteve atento às convocações da última Data FIFA pôde perceber que elas sugeriram, não que ter um campeonato local respeitável é garantia de triunfos, mas que é um bom amparo. A França - que anda jogando muito  - tinha apenas seis de seu vinte seis convocados atuando no país. E esse número teve uma ajuda tremenda do PSG, que lhe deu cinco deles. Mas a Espanha entre os seus vinte e seis tinha vinte deles jogando em casa. Número parecido com o da Alemanha, que tinha dezesseis entre vinte e cinco. 

Coloco esses dados aqui por acreditar que seja também uma maneira de forçar a reflexão sobre o modo como o futebol brasileiro se abriu aos estrangeiros. O que pode fazer um campeonato melhor não se traduzir exatamente em uma expansão no horizonte dos jogadores brasileiros. Como disse, não se trata de uma fórmula do sucesso. A Argentina, atual campeã do mundo, tinha apenas cinco entre os vinte e três convocados atuando no país. Já a Inglaterra, que há tempos não ganha nada, chamou trinta e cinco e só cinco atuavam fora. Não me espantaria se daqui há algum tempo os ingleses passassem a ganhar. A questão é olhar o todo e entender que exemplo deve ser seguido. Ser o maioral na Libertadores é ótimo, mas jamais será garantia de uma excelência que nos colocará em outro patamar no mundo da bola. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Tirando onda



Hoje tomo a liberdade de dar uma escanteada no futebol, desde sempre tão hegemônico no nosso universo esportivo. Não sem citar que esse desde sempre tem um quê de licença poética, já que só os mais atentos ao desenrolar da história talvez lembrem, ou saibam, que houve sim um tempo em que as páginas esportivas não eram dominadas pelo dito jogo de bola e sim pelo turfe. Isso foi lá nos idos do fim do século dezenove e começo do vinte. Portanto, antes de tantos outros acontecimentos ajudarem a desenhar tudo o que temos testemunhado, dá pra dizer, ao longo do último século. Entre eles o fato de Charles Muller ter tido a bendita ideia de colocar uma bola na bagagem quando certa vez retornava ao Brasil. E vejam vocês como o mundo dá voltas. O futebol veio tomar o lugar justamente de um esporte tão íntimo de apostas. Já dizia um ditado que ouvi pela primeira vez quando garoto: quem tem fama deita na cama. E controlem seus instintos porque cama nesse contexto nada tem de alcova. Era só um jeito direto de dizer que para os famosos tudo costuma se dar mais facilmente. E isso não deixa de ser uma realidade para o futebol brasileiro hoje em dia. Não há como duvidar de quem ele tem mesmo vivido da fama. Lá se vão bem mais de duas décadas  sem uma Copa.  E arrisco dizer,  terá de trabalhar muito para voltar a ser respeitado pelos adversários como foi um dia. Mas seja como for, continuará sendo tratado como uma vedete por tudo o que representa e, mais do que isso, por tudo o que movimenta. 



Feita essa introdução  vou chegar onde quero. Enquanto o nosso futebol perdia ao brilho vimos outras modalidades evoluírem de maneira espetacular sem jamais gozar de prestígio semelhante. E nem vou citar aqui o fato de termos sido brindados com Gustavo Kuerten tri em Roland Garros porque naquele momento o futebol ainda estava para nos dar um título mundial. O que não me impede de dizer que ter tido um brasileiro como maior tenista do mundo com direito a derrotar lendas como Agassi e Sampras, segue sendo pra mim, se não a mais grandiosa, a mais surpreendente página da história esportiva do nosso país desde o Tri no México. No mais , para embasar o que digo aqui, apelo para outras duas modalidades que pratiquei e  quando o fôlego me permite, ainda pratico, e que alcançaram nessa lacuna de tempo uma excelência que o nosso futebol passou a dever. Uma delas é o vôlei, de tanta tradição na cidade de Santos, que tive a felicidade de ver disparar rumo ao apogeu e dominar o mundo de uma maneira que a meninada do clube onde a gente  treinava jamais sonhou que veria, naquele tempo em que a União Soviética - de Savin e companhia - parecia estar a anos de luz de nós. 



A outra modalidade é o nosso surfe, que também vi se fazer cada vez mais profissional e competitivo e que este ano terá, pela primeira vez na história, um número de atletas maior do que a Austrália. E só quem sabe o que a Austrália significa nesse universo é que terá uma boa noção do que isso representa. Mas de tão à frente dos outros o surfe brasileiro nos oferece hoje muitos outros argumentos para justificar seu protagonismo na cena planetária. Dos onze últimos títulos mundiais oito foram vencidos por brasileiros. Dos últimos cinco ficamos com quatro. O único que perdemos, perdemos para um havaiano, talentosíssimo, e isso também tem lá um grande simbolismo. E teremos na temporada que começou oficialmente ontem, quatro campeões mundiais brigando pelo título. O que jamais tinha acontecido também. Não quero com isso contestar a alcunha do Brasil como país do futebol.  Ainda que ela soe cada vez mais abstrata. Só quero jogar um pouco de luz a quem tem feito mais por merecer.  E ajudar a tornar evidente que se os brasileiros hoje em dia em matéria de futebol têm tudo para ouvir gracinhas, dentro da água têm tudo para seguir tirando onda.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Rádio Corisco - sobre Oscar Wilde




 

RádioCorisco - poemas e fábulas - está no ar desde janeiro deste ano. O programa é apresentado e produzido por Fábio Malavoglia, amigo de fina sensibilidade e dono de um conhecimento ímpar.


Sobre este programa:

Um panorama da profundidade de Oscar Wilde, célebre autor do “Retrato de Dorian Grey” mas esquecido como brilhante poeta impressionista. Momentos e virtudes de sua vida e talentos, por Fernando Pessoa e Jorge Luís Borges. O conto “O Ímã”, criado de improviso e resgatado pelo biógrafo Hesketh Pearson . E as melodias dos contemporâneos Debussy, Satie e Ravel.





Ouça o programa no link abaixo:

Corisco - sobre Oscar Wilde


RádioCorisco é transmitido aos sábados, às 16h30 horas, com reapresentação às quartas-feiras, à 01h, na Rádio USP 93,7Mhz (São Paulo) e Rádio USP 107,9 (Ribeirão Preto), e também por streaming. As edições do programa estão disponibilizadas nos podcasts do Jornal da USP e nos agregadores de áudio como Spotify, iTunes e Deezer.