segunda-feira, 5 de março de 2018

sexta-feira, 2 de março de 2018

Craque é craque, sempre !


Pensando assim - e fazendo pouco caso do tempo - resgato aí  "Bola murcha", de Otto Lara Resende. O texto está no livro "Bom dia para nascer", da Cia das Letras, que reúne crônicas dele publicadas na Folha de São Paulo. 


Bola murcha

Em matéria de futebol, costumo dizer que sou Botafogo desativado. Suspeito que estou assim antes de se desativar o próprio Botafogo. Aliás, hoje ninguém me pergunta qual é o meu time. Me perguntam qual o meu signo. Touro. Sou de Touro e logo sabem que sou. Nos dias que correm, e agora correm que nem o Senna, brasileiro acredita mais em horóscopo do que em carteira de identidade.
Quando o Maurinho Branco assaltou minha casa e não roubou muito, mas roubou tudo, esquecemos de lhe perguntar qual era o seu signo. Se ele fosse de Touro, ia começar um diálogo assim: “Ô meu irmão, desculpe, também sou Touro”. E daí acabávamos descobrindo que temos um mesmo ascendente (astrológico, claro), ele tomava um cafezinho e se despedia como um cavalheiro. Iria assaltar alguém de Áries.

O Nelson Rodrigues, que sabia, mas não enxergava quem era a bola, dependurou as chuteiras no céu. As chuteiras já não são imortais. O João Saldanha foi cobrir a Copa na Itália e de lá tomou rumo ignorado. Gosta muito de viagem e de aventura, o João. Nem sequer almoçou comigo no Final do Leblon, como tinha prometido. O Sandro Moreyra entrou vivo num hospital e saiu morto. Estou sempre me perguntando por que diabo chamam hospital de casa de saúde. Há anos que o Armando Nogueira parou de escrever “Na grande área”. A coluna do Cláudio Mello e Souza sumiu.

Aí é que desanimei de vez. O meu futebol era muito mais lido do que assistido. Em 1958 eu morava em Bruxelas e vi o delírio que o Brasil despertava. Pelé e Garrincha eram a dupla de mais cartaz no mundo. Nem os Beatles, que eram quatro e tiveram o cuidado de aparecer depois, lhes chegavam aos pés. No polo Norte, em 1965, vendo o sol da meia-noite, um esquimó me pulou no pescoço na maior alegria e agitação.

Só depois vim a saber a razão. Porque eu era brasileiro. “Pelé! Pelé!” — gritava ele, eufórico. O esquimó fedia um pouco a peixe, mas tudo bem. Dava gosto ser brasileiro. O futebol unia todo mundo num só grito. Rico e pobre, branco e negro, analfabeto e intelectual. Até o Kissinger gostava. Agora, escreve o Villas-Bôas Corrêa: “Para mim, chega”. Despediu-se do futebol. Um alucinado que não perdia jogo. Com o Brasil ruim de bola como anda, precisa

quinta-feira, 1 de março de 2018

Ah, a Libertadores !


A Libertadores virou a vedete do futebol deste nosso continente. Não há como brigar com essa constatação. Só ela é capaz de oferecer aos apaixonados pelo jogo de bola horizontes realmente largos, e fazer o nosso maltratado torcedor sonhar com momentos grandiosos além das nossas fronteiras. Mas notem: é uma pompa mais amparada em cifras e possibilidades do que propriamente nos tratos à bola. Tecnicamente o torneio segue pobre. E não se iludam com o fato de que nos últimos tempos as premiações aumentaram, pois se algum avanço houve nesse sentido foi apenas como efeito colateral do que os cartolas se viram obrigados a fazer depois de toda a imundície trazida à tona. 

Por mais que os clássicos tenham sido até agora a única possibilidade de algum prazer mais consistente com o jogo de bola a chegada da fase de grupos da Libertadores neste meio de semana de alguma forma inaugura a temporada. Ou, ao menos, deixa no ar um quê de agora é pra valer. Certa vez ouvi alguém dizer que devemos tomar cuidado com o que pedimos porque podemos ser atendidos. Ou seja, você torcedor que a essa altura está convencido de que só o troféu da Libertadores lhe fará verdadeiramente feliz, lembre - ainda que por cautela - que nos últimos tempos ter de medir forças com o futebol do resto do mundo e, em especial o do velho continente, tem sido motivo de profundo desgosto. Como disse o português Cristiano Ronaldo esta semana, se eles jogam no nível deles conseguem ganhar. Uma maneira elegante de dizer que em condições normais não somos páreos pra eles. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A arquibancada precisa ter voz



O carnaval usou seu poder para contestar e esse drible na mesmice a meu ver serviu também para deixar evidente o silêncio que reina nas arquibancadas. Um silêncio que nos empobrece. Dizem que a culpa é do perfil do torcedor que agora frequenta essas praças, ainda que estádios modernos no Brasil possam ser contados nos dedos das mãos. Boa parte dos que aqui foram construídos para a Copa não merece essa patente. O cenário verdadeiro do nosso futebol ainda se faz de arquibancadas de cimento, sustentadas por estruturas carcomidas, com sua ferragem à mostra como veias esgotadas. A arquibancada poderia ser nossa grande tribuna. 

Houve uma vez em que ela falou e mostrou sua força. Corria o ano de 1979. Amargávamos a ditadura. A palavra Anistia era muito falada, mas com um detalhe: soava íntima pra valer entre intelectuais e simpatizantes da causa. Foi aí que se teve a ideia de estender em pleno Morumbi uma faixa pedindo "Anistia ampla, geral e irrestrita". Mais de cento e oito mil torcedores estavam lá pra ver o clássico entre Corinthians e Santos. O lugar perfeito pra fazê-la chegar ao povo. Avisado de que algo diferente surgiria entre os torcedores o narrador Osmar Santos deu o aviso e deixou todo mundo em alerta: "A Gaviões vai fazer uma surpresa quando o time entrar". Pouco depois a mensagem se abriu no anel superior. A polícia avançou mas desistiu diante da contra força dos torcedores. Uma vitória bem tramada que a história guarda em nobre lugar. 

Dois anos atrás durante o clássico entre Corinthians e São Paulo o juiz parou o jogo ao avistar na arquibancada faixas que apontavam a impunidade na investigação do caso envolvendo as merendas na capital paulista e o preço alto dos ingressos. Nada que pudesse ser enquadrado no Artigo 13-A do Código do Torcedor que veda o porte de cartazes, bandeiras ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo, mas não proíbe ninguém de se manifestar se respeitados tais princípios. E muito pode ser dito sem desrespeitar o que lá está escrito. 

O fato deixou claro que um árbitro de futebol não é o mais habilitado para interpretar o conteúdo de certas manifestações. Ainda mais quando o momento exige certa veemência pra fazer valer nossa liberdade de expressão. Quem sabe ao quebrar seu silêncio as arquibancadas não contaminassem as ruas com sua voz . Seja lá o que for que as mesmas venham a falar, porque se calar é a maneira mais covarde de sucumbir a esse tempo estranho que atravessamos. Dar voz ao nosso futebol - e isso vale para os que torcem e para os que jogam - seria no mínimo resgatar parte da relevância que o jogo tem na nossa história como nação.     

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Debate saudável

Cestas de Frutas - Caravaggio


Dias atrás mencionei para amigos o artigo escrito por Claudia Collucci questionando se o Brasil seria tão arrojado quanto o Chile na questão da regulamentação dos rótulos dos alimentos. Dias depois o tema esteve entre os editoriais da Folha, num tom que me soou despropositado. Atentava para a questão não tomar contornos alarmistas. Acho que de tão importante o tema exige ser tratado com coragem. Não ser alarmista nesse caso seria - em última análise - tomar cuidado com o mercado que, como sabemos, costuma ser impiedoso com nossa saúde. Qual o mal em ser veemente ao cuidar de uma questão como essa? Abaixo os links para o artigo de Claudia Collucci, para o Editorial no qual a Folha diz o que pensa e, por último, uma matéria veiculada hoje que dá a dimensão do que está em jogo.  

O Brasil terá o arrojo do Chile

Saúde e liberdade

Mudanças de hábito abala gigantes dos alimentos

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A ruína do esporte brasileiro


O Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros não foram demolidos mas têm sucumbido diante do descaso com nosso patrimônio.  Lembro que anos atrás - durante entrevista ao Roda Viva - perguntado sobre o  tema o nadador, César Cielo, disse que a piscina do Delamare era uma preciosidade. Do Célio de Barros bastaria dizer que foi palco para atletas como Ademar Ferreira da Silva, por exemplo. Muito triste. Segue abaixo matéria sobre a situação atual desses dois lugares. Nos outros dois links: como a situação foi prevista e uma visão urbanística da importância dessas duas praças esportivas. 


A triste rotina dos esquecidos Célio de Barros e Júlio Delamare

Vamos retroceder 15 anos sem Célio de Barros

Patrimônio desportivo e educacional brasileiro

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Futebol tecno, lógico !

 
O bom senso manda relevar aquele futebol nada empolgante que seu time possivelmente andou mostrando até agora. Não seria justo, e muito menos proveitoso, exigir algo que saltasse aos olhos quando a temporada nem bem começou. Concordo com o raciocínio, mas não me furto a observar que ele seria bem mais consistente se ao longo dos últimos anos depois de algum tempo nossos times de elite tivessem exibido uma melhora significativa. O que não tem sido o caso. 

Um argumento pode até não justificar o outro mas pedir que o torcedor deixe de ser passional, imediatista até, seria a última fronteira para fazer do jogo de bola algo frio. Ainda bem que tá pra nascer tecnologia capaz de substituir o ranger dos dentes, os dedos cruzados, as figas, os socos no ar, os palavrões repentinos, aquela superstição de lógica esquisita. Estamos nesse aspecto na contramão do que anda ocorrendo com o jogo propriamente dito. É incrível. No ato de torcer continuamos sendo quase demodês, pré-modernos. O que é de uma beleza redentora. 

Digo isso pois li outro dia uma manchete que dizia que o técnico Roger Machado anda vivendo dias de Disney no Palmeiras. Acabara de convencer o clube a comprar uma nova ferramenta para seu Centro de Inteligência. Com ela será possível, dizem os entendidos, calcular métricas e variáveis relativas ao tempo de recuperação da bola. Munido do aparato o treinador saberá quanto tempo o atleta comandado por ele leva para combater o adversário, quanto tempo o time fica com a bola em cada setor do campo e, detalhe interessante: quanto tempo cada jogador fica com a bola. 

É a tecnologia desmascarando um dos tipos mais famosos entre a boleirada, aquele que costuma se esconder do jogo. Isso sem falar no monitoramento por GPS, no uso de drones - para olhar o próprio time e não o dos outros é bom que se deixe claro. Detalhes que vão  dando à imprensa munição para fazer de Roger Machado uma figura simbólica desse futebol tecnológico. Mas eu, aqui do meu canto, gostei mesmo foi de ler que depois de tudo isso o técnico palmeirense pra poder mostrar aos atletas todas as descobertas e conclusões pega mesmo é a velha lousa e leva pro meio do campo. 

E aí a ciência e a tecnologia, creio, são devidamente traduzidas para o boleirês. Que me perdoem os mais modernos. Da ciência sempre fui um admirador, sempre achei que bateu um bolão. Mas com a tecnologia o papo é outro, olho pra ela desconfiado, como quem está de cara com alguém, ou algo, que pode num instante lhe colocar a bola entre as pernas, entende?  

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"Tem que ter uma cabeça muito boa pra aguentar"



Palavras do goleiro do Palmeiras, Fernando Prass, ao comentar a condição atual de reserva no primeiro Cartão Verde, ao vivo, da temporada. Clique e assista.

Cartão Verde 08/02/2018

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Nossos carnavais



Estamos à beira da folia como vocês sabem. Folia, em tempos passados era uma maneira carinhosa de se referir ao carnaval. Este por sua vez, lembro muito bem também, era palavra usada no mau sentido quando se queria dizer que algo estava uma bagunça, uma esculhambação. De onde concluo que o que estamos vivendo mais ou menos desde 1500 não passa de um longo carnaval. É ou não é? Nunca tive vocação pra folião mas confesso na juventude ter me entregado aos prazeres de um ou outro reinado de Momo. Hoje em dia no máximo arrisco colocar um dedo e outro pra cima em cadência num domingo de carnaval ali na barraca de praia do Aurélio. 

Lamento toda a descaracterização dessa nossa grande festa popular e o fato de termos de lidar cada vez mais com as mazelas nascidas da promiscua mistura entre carnaval e futebol. Uma mostra já nos foi dada dias atrás quando foliões são paulinos e palmeirenses se encontraram num trem da CPTM em São Paulo levando pânico aos que lá estavam. E como deve ser do conhecimento de vocês, os grandes times da capital paulista têm escolas de samba a lhes representar no grande desfile. Logo, os organizadores precisaram pensar estratégias no intuito de evitar que rivais se encontrem numa mesma noite, sob pena de ter na avenida um espetáculo indesejado. É nisso que temos nos tornado, um povo com certa dificuldade para lidar com quem gosta de um time que não é o nosso, um partido que não é o nosso, uma escola que não é a nossa. 

As eleições dos clubes estão aí pra provar. Se alguém duvida é só lembrar que no último sábado, depois de eleito, o novo presidente do Corinthians precisou se esconder num banheiro feminino para não apanhar. Situação, claro, que está longe de ser privilégio corintiano. Perverso é que sem poder contar com um bom esconderijo e com uma turma devotada de seguranças repórteres acabaram agredidos. O eleito, Andrés Sanchez, deputado federal, personifica muito bem outra mistura que em nada nos tem enobrecido: a do futebol com a política. 

E por falar em carnaval, a palavra também já foi muito usada pra falar de algo - ou alguém - que quer aparecer, ficar em evidência. Qualquer semelhança com socialites é mera coincidência. Lembrei disso por causa de todo o carnaval que andam fazendo com essa questão do árbitro de vídeo. Resolver que é bom, nada. O carnaval seguirá. E triste dos que pensam que bastará um recurso eletrônico pra nos livrar de sair de certos jogos nos sentindo como se estivéssemos vivendo a ressaca de uma quarta-feira de cinzas.    

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Na hora de pagar a conta...todo mundo se escondeu !


Foto: arquivo Lance


Em resumo, a implementação do árbitro de vídeo custaria, ou custará, 20 milhões. Uma conta que nem a CBF e nem os clubes da Série A querem pagar.  Assim, no Brasileirão ficará tudo como está. A questão foi decidida em Conselho Técnico realizado na tarde desta segunda-feira. Agora, vender mando de campo na Série A está liberado. É o futebol brasileiro deixando transparecer toda a sua vocação para a modernidade, para a equidade.




sábado, 3 de fevereiro de 2018

Que tal fazer algo que dignifique seu time?


Agredir jornalista , sabemos todos, não é exemplo.


Repórter é agredido após eleição no Corinthians


Como acabo de escrever no Twitter, aos companheiros vítimas dessa selvageria,
digo o seguinte: Força, cabeça erguida, que só imagina que esse ofício é cheio de 
glamour aqueles que não o conhecem. 




quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um recorte do Brasil atual

J.Ricardo / Estação Conteúdo

Dois episódios ocorridos nestes últimos dias do ano são exemplos da nossa realidade social refletida no futebol. O primeiro, a selvageria registrada nos arredores e na entrada do Maracanã no dia da final entre Flamengo e Independiente, da Argentina, pela Copa Sul-Americana. Onde vimos um descaso, um despreparo total das autoridades e instituições envolvidas para lidar com a crueldade desses dias que correm. Faz tempo que gente mal intencionada descobriu que invadir o Maracanã à força é possível.  Aliás, até os chilenos sabiam disso. Durante a Copa realizada aqui uns cem se reuniram por ali e simplesmente dispararam estádio a dentro via Sala de Imprensa, levando pânico aos que trabalhavam no local. 

Em agosto, num Flamengo e Botafogo, as cenas foram as mesmas de agora. Torcedores enfrentando a Polícia Militar, invadindo o estádio. Sem contar as confusões geradas por ingressos falsificados, outra constante. Em setembro se deu o mesmo. Na final da Copa do Brasil, antes de Flamengo e Cruzeiro entrarem em campo, balas de borracha, invasão e torcedores dentro do estádio colocando grades abaixo para mudar de setor. No caso mais recente, esse da Copa Sul-Americana, quando o clube rubro-negro e a Polícia discutiam para descobrir o menos culpado, ficamos sabendo que as barreiras montadas para impedir que torcedores sem ingressos chegassem até o estádio estavam fadadas ao fracasso porque era simplesmente impossível saber se os cartões que a multidão ia apresentando estavam, ou não, carregados com os ingressos. 

Tão lamentável quanto a falta de métodos eficazes para evitar que assistir um jogo de futebol não seja um risco de morte é a atitude selvagem de quem se apresenta ali para se aproveitar, para roubar, para brigar, deixando milhares de inocentes com a vida por um fio. Gente que, imagino eu, no cotidiano miúdo vive dizendo que o país precisa mudar. 

E o outro episódio pontual foi a punição imposta pela FIFA ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, impedindo o cartola de realizar por noventa dias qualquer atividade ligada ao futebol. Ora, nem o mais inocente dos torcedores é capaz de acreditar que o dirigente não segue mandando em tudo. O jatinho e helicóptero da entidade, como foi noticiado, seguem à disposição dele, replicando o mesmo teatro que se vê encenado em outras áreas. Na política, por exemplo. E assim a violência dos que roubam, dos que causam desordem, vão fazendo do nosso cotidiano algo cada vez mais bizarro. Quando uma sociedade adoece, como adoeceu a nossa, esperar que o futebol melhore beira quase o egoísmo. É preciso, bem antes disso, salvar de um colapso total este país que na próxima Copa será chamado de o mais vencedor da história. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O melhor seria não dizer nada


A frase de Luigi Pirandello me voltou à memória quando lia sobre o burburinho provocado pelo técnico do Grêmio ao dizer que jogou mais do que Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo que, por sua vez,ao receber a quinta bola de ouro dias atrás afirmou ser o melhor da história. 

"Tem ideia de quanto mal nos fazemos por essa maldita necessidade de falar?"

E viva Pirandello!


   

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ademir da Guia e Rivellino no Cartão Verde !


Hoje teremos o prazer de ver, lado a lado, dois dos maiores nomes que o futebol brasileiro já teve. O programa é exibido, ao vivo, pela TV Cultura, às 22h30. Venha bater uma bola com a gente?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Futebol, quanto mais a gente conhece...

Martin Fernandez/GloboEsporte.com 

Uma coisa é se divertir com futebol. Outra, bem diferente, é tê-lo como matéria de ofício. E a diferença inquietante entre as duas coisas é que no primeiro caso podemos abstrair o todo, no segundo, jamais. Não foram poucas as vezes em que me senti como um perverso desses capaz de tirar um sorvete da boca de uma criança. E isso nunca foi premeditado. O que se dá é que muitas vezes o papo começa despretensioso e na empolgação você vai dividindo com o interlocutor detalhes que costumam ser esquecidos e quando se dá conta o papo já virou meio policial, com enredo que só a máfia sabe emprestar a eles. 

Foi por isso que cunhei a frase, cujo trecho usei acima como título. Frase que é a seguinte: Futebol, quanto mais você conhece mais difícil fica de gostar. Foi o jeito que encontrei pra tentar resumir o sentimento que me assola quando sou obrigado a lidar com esse lado nada nobre do mundo da bola. O que, devo dizer, costuma acontecer com frequência. Ainda mais agora quando temos um ex-presidente da CBF sentado no banco dos réus lá em Nova Iorque gerando manchetes quase diárias com novos detalhes sobre o que vem à tona toda vez que um dos envolvidos no caso é chamado pra se explicar. 

Creiam, nada disso causa espanto em quem está habituado a conviver com os detalhes desse universo. Agora, confesso ter sido surpreendido pelo fato de alguns meliantes terem sido levados para a cadeia por fazerem parte de um esquema de repasses de ingressos de futebol para torcidas organizadas. Pois se os papos sobre propinas milionárias sempre circularam por aí em tom de verdade esse esquema dos ingressos idem. E até hoje absolutamente nada de significativo tinha sido feito. Levada às últimas consequências isso significaria uma limpeza considerável no meio. 

Há muito pra ser feito. Inclusive, despertar em cada torcedor a importância de separar o  futebol da política. Evitar que ele seja usado com esse fim. Até porque está pra nascer um administrador no meio futebolístico com capacidade para melhorar nosso quadro politico. Ao menos entre os que usam o jogo de bola como trampolim. Vejam o caso de Andrés Sanchez, deputado federal e candidato a presidente do Corinthians. Ao ser perguntado se pedirá licença, caso seja eleito, afirmou que o faria no dia seguinte, para em seguida dizer que ficaria no comando do clube quatro, cinco meses e depois veria o que fazer. Um desavisado torcedor corintiano pode achar que de qualquer modo terá seus interesses cuidados. Se não como cidadão, como corintiano. Mas se alguém ainda é capaz de votar pensando no time que torce, como diria um velho amigo, parei.   

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A arte de Jozef Israels - 1824/1911

Children Of The Sea Paintings


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