sexta-feira, 26 de junho de 2026

FOTOGRAFIA : A Seleção dança !

                                         



                                        A melhor foto que vi da Seleção na Copa até agora.







 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A coisa vai mudando


Foto: Hannah Peters -FIFA


Tenho sérias dúvidas sobre a nossa capacidade de interpretar uma partida de futebol sem ser contaminado pelo que o placar determina. Coisa que os bem intencionados desde sempre trataram de nos recomendar. E, de certa forma, a tarefa parece tomar uma dimensão ainda mais desafiadora quando o jogo em questão é de Copa do Mundo, um torneio curto que dá a todo encontro um ar de tudo ou nada.. O que também pode, por vias tortas, forçar o acerto analítico. Papo meio maluco eu sei.  E isso me veio à cabeça depois de ter testemunhado o segundo capítulo escrito por Ancelotti e seus ungidos no Mundial, mas não apenas ele. Tendo em vista a dificuldade imposta pelo bom time marroquino e a fragilidade notória dos haitianos a análise pode se embaralhar um pouco. 

Não estou dizendo aqui que o Brasil começou bem. Ao contrário. Um minuto antes de Vinicius Júnior fazer o gol de empate contra o Marrocos o Brasil estava totalmente perdido em campo. E o adversário tinha se feito respeitar. Ouvi muita gente antes da estreia dizendo que o empate nem seria um mal resultado. E se pensarmos bem, com o ciclo que o Brasil teve, com o treinador que lá está, tendo chegado um tanto em cima da hora, pensar na vitória como algo muito provável deixava trair certa soberba. Fato é que o apito final soou e vieram duras críticas, para as quais o empate diante de uma seleção respeitável esteve longe de servir de paliativo. Deu-se então o segundo capítulo, revelando um outro placar. E forçando um outro olhar. 

Diante dele, ou melhor, depois dele, o meu modo de encarar Matheus Cunha mudou. Passou a ser imperativo  reconhecer todo o serviço prestado por ele, que na estreia tinha perdido o lugar. Cunha desenhou uma longa trajetória no futebol europeu e com o Manchester United vive, muito provavelmente, o melhor momento da carreira. E mais, tanto anda sendo dito a respeito de Casemiro, se deveria ou não ser titular. Pois que Ancelotti decida. Mas me parece visível que na principal proposta de jogo do italiano Matheus Cunha desempenha papel importantíssimo. Impressão que se reforçou no jogo contra a Escócia. Outro caso meio nessa mesma linha é o de Vinicius Júnior. 

O caminho até aqui ajudou a colocá-lo no lugar que ele verdadeiramente ocupa, não só na Seleção, mas no futebol brasileiro. Neymar pode até voltar a brilhar, fazer o que soa um tanto impossível, mas neste momento o grande nome do futebol brasileiro é Vinicius Júnior.  Inclusive pela postura que sempre teve, desafiadora. Um verdadeiro protagonista, muitas vezes reduzido e contestado injustamente, porque é o cara que joga mais no clube do que na Seleção. Mas, por favor,  a realidade da Seleção é outra. E isso joga contra todos, não só contra ele, que dá a impressão de estar tomando consciência de que neste momento, queiram, ou não, é o grande nome do time brasileiro. 

Quanto a Neymar, seja qual for a dimensão que vier a ter no final dessa história, deverá ter consciência de que poucos na longa trajetória  do nosso futebol foram tão amparados. O mercado o amparou. A mídia, em grande parte, o amparou. Os companheiros de Seleção nem se fala. Isso por mais que seja difícil acreditar que um jogador que tinha jogado a última partida pela Seleção no distante ano de 2023, que voltou a treinar pra valer no último domingo, possa estar verdadeiramente apto a ser competitivo em um jogo de Copa do Mundo. Neste momento acredito mais na confiança que o escrete brasileiro vai tomando do que em uma suposta evolução. Fato mesmo é que a partir do jogo de ontem à noite contra a Escócia qualquer erro, ou equívoco, poderá se revelar fatal.  

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O que a Copa me mostrou



Em meio a tantos conteúdos relativos à Copa e ao futebol com os quais fui bombardeado nos últimos dias um me tocou em especial. Tratava-se um trecho de depoimento dado por Zagallo ao Museu da Pessoa. Nele o campeão do mundo relembrava circunstâncias que cercaram a final da Copa de 1958, a primeira vencida pelo Brasil. E o fez com nobreza, para destacar a postura que tiveram os suecos a respeito do jogo decisivo. O Brasil, todo mundo sabia, não gostava de jogar na chuva, lhe fazia mal. A água jogava contra o talento, impedia a bola de pé em pé. E antes da decisão choveu muito. Choveu na quinta, choveu na sexta, choveu no sábado. Domingo, dia da decisão, não. A chuva tinha parado. O velho Lobo ao falar deixava vislumbrar em seu rosto a certeza de uma lembrança que parecia ter o frescor de algo vivido no dia anterior. Pudera. E os suecos, que fariam a final com o Brasil, sabiam muito bem o que a chuva significa para o time adversário. Mas o que fizeram eles? Mandaram cobrir o gramado. Protegê-lo em nome do espetáculo. Sem dar a mínima para o proveito que poderiam tirar da situação. O fim da história todo mundo sabe. O time brasileiro impôs a eles um cinco a dois e os suecos nunca mais voltaram a disputar o título. 

Resgato essa passagem porque acredito que se tem um coisa para a qual essa Copa que aí está pode nos servir é para nos jogar na cara o quanto a postura dos homens molda o futebol.  Logo de cara tivemos em campo, no jogo de abertura, um árbitro brasileiro. Justo quando a arbitragem por tudo o que andamos vivendo por aqui deixa no ar a impressão de que ela é o pior que o futebol brasileiro tem a oferecer. E quero passar longe de qualquer veredito a respeito da atuação de Wilton Pereira Sampaio. Mas quero tomar partido e dizer que não concordo nenhum um pouco com o que ouvi sendo dito por aí. Que ele lá não apitou como apita aqui. Tenho dúvidas de que poderia, uma vez que o respeito ao árbitro, as atitudes em campo, o peso de cada jogo, a exposição planetária, redundam em realidade totalmente distinta. 

Sem contar que os árbitros que lá estão passaram a ter recursos que até então não tinham. Regras para evitar que o jogo se transforme em enrolação. E um amparo tecnológico ampliado, que a arbitragem da partida entre Estados Unidos e Paraguai me deixou com a impressão de ter usado com maestria. Quis o destino que fosse nessa partida que eu desse de cara pela primeira vez com um jogador a esbravejar com o árbitro. E esse alguém era o o zagueiro Gustavo Gomes, cujo comportamento conhecemos bem. Mas, foi um lance na linha de fundo que me fez perceber que nosso futebol aqui pode ser ajudado. Foi quando o VAR, com toda a discrição necessária, avisou o árbitro de campo, o holandês Danny Makelie, que ele tinha sido iludido. Tinha sido vítima de uma dessas encenações bizarras, feita pelo paraguaio Almirón. Encenação que tinha feito o zagueiro do time norte-americano, Ream, levar o cartão amarelo. 

Constatada a malandragem o cartão foi imediatamente invertido. E o meio campista paraguaio vai poder contar para os netos um dia que foi o primeiro esperto a passar a vergonha de ser flagrado pelo VAR cometendo um ato do tipo em uma Copa do Mundo. A correção só foi possível porque havia um cartão amarelo dado.  Mas acho que tá mais do que na hora de não fazer coisas dessa natureza depender de situação alguma. Constatado o flagrante o meliante deveria ser punido, fosse qual fosse o contexto. Do jeito que está posta a mudança creio que já será de grande valia na realidade absurda criada pelos jogadores brasileiros. Fará quem sabe evoluirmos um tanto, mas deixo uma sugestão. Podendo o flagrante ser dado a qualquer momento, sem ter redundado em cartão, tenho certeza de que faria nosso jogo andar um meio século para a frente. Não me iludo. Sei que isso é só o começo, que os homens do apito a partir de agora irão cada vez mais dar de cara com jogos que para serem devidamente domados exigirão deles cada vez mais. E que a qualquer momento um espertalhão, ou um esquentadinho, pode fazer a Copa tomar ares de Libertadores. Por isso deixo um "viva" pra quem ainda trata o futebol com a nobreza devida.    

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O preço da maior Copa de todas



Sabemos todos que a última não foi uma quinta-feira qualquer. A abertura da Copa pode não ser daqueles momentos que altera drasticamente agendas, esvaziando escritórios, lotando bares, tornando a chegada em casa uma corrida contra o relógio. Mas se coloca na ordem do dia. No mínimo se intrometendo no cotidiano de muitos. Mesmo antes de a bola rolar as atenções se voltaram para o estádio Azteca que se já tinha ar de nobre, a partir de ontem ganhou ainda mais, ao se transformar no único lugar do planeta a servir de cenário para o evento em três oportunidades. Mas há um sem fim de detalhes que já vivemos por aqui e que passarão despercebidos. Os gastos astronômicos que se escondem por trás da festa. 

No caso do México falam num total de 41 bilhões de reais investidos. Isso para ter três sedes e não uma Copa toda pra chamar de sua. Serão breves onze jogos na pouco expressiva fase de grupos e apenas dois quando o evento chegar ao mata-mata. Pra se ter uma ideia, segundo a apuração do Tribunal de Contas da União, o gasto do Brasil que sediou uma Copa inteira em 2014 foi de 25 bilhões. A reta final de preparação por lá evidenciou, como sempre, que as obras de mobilidade não andaram na velocidade que tinham de andar. Tudo muito previsível. 

E muitos dos que têm bons motivos pra protestar contra o governo local não perderam a oportunidade. Uma semana antes da abertura os professores mexicanos em greve nacional, bloquearam ruas, entraram em confronto com a polícia, derrubaram símbolos ligados ao Mundial e ameaçaram fechar aeroportos. Tão batido quanto ver professores nesta situação são as reivindicações que fazem. Salários defasados, mudanças no sistema de aposentadoria. Perdoem o contraponto ao momento festivo. Mas isso tudo serve para elucidar as manobras de quem verdadeiramente lucra com o evento. 

A Copa de 2026  expandida para quarenta e oito seleções e três países está quebrando todos os recordes financeiros e, leio aqui, já se tornou o maior motor econômico da história do futebol mundial.  A competição projeta uma geração de 80 bilhões de dólares, cerca de 400 bilhões de reais, em produção bruta global. Seja lá o que isso quer dizer. O que por tabela torna muito claro porque a próxima será disputada em seis países e três continentes. Esse gigantismo todo me faz pensar quanto não lucrarão os sites de apostas ao redor do mundo. E se não estamos fadados a um dia vermos o mundo inteiro envolvido com a Copa. Assim pelo menos as Seleções poderiam economizar jogando cada uma na sua casa, ou tornando as disputas regionalizadas. Isso geraria economia, um impacto menor na emissões de carbono. Mas ninguém vai querer jogar contra algo que vem dando tão certo. Ainda que a gente saiba que as emissões de carbono da edição que está pra começar, segundo especialistas, irão muito além das emitidas nas edições de 2018 e de 2022. 

Mas talvez a FIFA esteja tão antenada com tudo que por isso até já anunciou a troca da empresa que há décadas produz os álbuns e as figurinhas oficiais que, descobri dias atrás, usa um tipo de silicone no verso das mesmas que contamina o processo de reciclagem padrão. E por isso se jogado no lixo comum - ou misturado com a coleta seletiva - fatalmente irá parar em aterros sanitários onde precisará de cem anos pra se decompor. O que a essa altura não tem o menor cabimento. Não quero com esses detalhes todos minar a diversão de ninguém. Mas como jornalista fui doutrinado a olhar sempre para os dois lados. E a conclusão que chego com toda a minha rabugice é que é preciso sempre questionar.  Por exemplo, qual será realmente o preço a pagar por essa Copa que nos vendem como a maior de todos os tempos?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Driblando a excelência



Em um primeiro momento a afirmação de que o futebol faz pouco caso da excelência técnica pode soar leviana. O que o leva a esse caminho pouco nobre é que é a grande questão. Há um sem fim de acontecimentos que deixam isso claro. Dois muito recentes podem ser tomados como exemplo. A demissão do técnico Hernán Crespo, quando o São Paulo dava a impressão de estar vivendo um momento promissor. E a troca de Filipe Luís pelo português Leonardo Jardim no comando do Flamengo. No caso rubro-negro contribuiu para dar ares mais surreais ao ocorrido o fato de o Flamengo pouco antes ter construído uma goleada de oito a zero sobre o Madureira, que pode não ser um adversário intimidador mas mesmo um leigo no assunto teria noção de que um placar dessa envergadura não se constrói sem um resquício que seja de excelência. 

Talvez esse discurso venha a soar meio sem pé nem cabeça pra muitos, já que vivemos em um país que fez popular aquele ditado que diz: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Quase um mantra. Sem querer brigar com a realidade, ou por em dúvida o viés cruel do poder, diria que o ideal é que quem manda tenha juízo, já que ele é a faculdade de bem julgar e avaliar. Coisa que tanto no caso tricolor, quanto no do time carioca, o tempo vai sugerindo que não foi o que se deu.  Que quem manda tenha suas preferências também é algo a ser considerado. Mas diria que quanto mais importante o cargo mais ele exige que as preferências sejam deixadas de lado em nome da instituição. Tudo exige um momento certo, até impor vontades. Incompatibilidade de gênios nesses casos terá sempre um quê de canelada. 

E pra mim foi esse o caminho que tomou também o italiano Carlo Ancelotti ao incluir Neymar entre seus vinte e seis preferidos. E essa não é uma reflexão sobre o jogador. É uma reflexão sobre escolhas, sobre o que priorizar. Argumentos temos de todos os tipos. Quem já não ouviu entendidos por aí professarem que goleiro é uma posição de confiança do treinador.  Que o sujeito é bom de grupo. Que fulano melhora o futebol dos outros. Mas eu vos pergunto: e a excelência técnica tão primordial para grandes conquistas que lugar ocupa nesse universo cada vez mais mercadologicamente desenhado? O certo desapontamento que venho alimentando a respeito do treinador da Seleção se alimenta muito disso. Imaginava que uma das diferenças que notaríamos no trabalho de um profissional acostumado a lidar com jogadores de tão alto nível seria uma exigência descomunal com relação à excelência técnica e física.  Talvez o tempo nos mostre que ter um estrangeiro a comandar o time não muda realmente tudo. 

E isso é um ponto de vista que não se restringe a ter, ou não ter, Neymar no grupo. Pois a convocação, de uma maneira geral, trouxe outros nomes que sugerem que  essas excelências não são exatamente prioridades. Ou que elas em última análise podem ser compensadas com uma boa dose de vivência, de experiência. Só assim para aceitar sem questionamento certos nomes que figuraram na dita lista também. Talvez o talento em estado bruto, com toda a mística que o cercou desde sempre, fosse o único argumento aceitável em alguns casos, mas um sujeito pragmático como eu sempre vai achar que o talento nunca se apresenta  despido de uma considerável dose excelência física e técnica. E que é melhor encarar um amistoso de despedida mais como uma festa do que como um oráculo.